segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Auditoria do TCU mostra quadro de descalabro administrativo no Ministério da Cultura

Após apresentar na Mesa do Senado projeto de lei para aumentar a transparência de informações relativas a projetos culturais que tenham captado recursos mediante renúncia fiscal junto ao Ministério da Cultura, o Líder do PSDB, Alvaro Dias, revelou em Plenário dados obtidos pelo Tribunal de Contas da União a partir de auditoria no MinC. O relatório do TCU lista diversas falhas e irregularidades na fiscalização e acompanhamento de projetos culturais beneficiados pela Lei Rouanet, como o fato de oito mil projetos artísticos, financiados por meio de renúncia fiscal, não terem recebido qualquer análise de prestação de contas.

O descalabro mora em todas as partes do atual governo, mas estou especificamente apontando o descalabro no Ministério da Cultura. O Senado não pode ignorar essa situação de incúria gerencial-administrativa. São mais de 8 mil processos de prestação de contas de projetos culturais envolvendo uma cifra de R$3,8 bilhões pendentes de análise na pasta da Cultura. Esse é um típico exemplo de gestão às avessas, caracterizando a falência gerencial e administrativa. Eu repito, R$3,8 bilhões pendente de análise. O que fazem no Ministério da Cultura? Os que ocupam cargos comissionados nesse Governo fazem o quê?”, questionou o senador tucano.

Ao destacar os resultados obtidos pelo TCU com a auditoria no Ministério da Cultura, o senador tucano aproveitou para elogiar o trabalho dos técnicos do tribunal.

O TCU tem realizado um enorme esforço. Os quadros técnicos do tribunal são qualificados e devem ser valorizados porque realizam um enorme esforço para conter o processo de irresponsabilidade de gestão nesse País. Nessa auditoria agora no Ministério da Cultura, para verificar a regularidade da concessão das renúncias de receitas previstas na lei, o TCU constatou que este órgão do governo não verifica como o recurso público está sendo gasto, nem examina notas fiscais ou outros comprovantes de despesa para fins de liberação dos incentivos fiscais, entre outras irregularidades”, disse o tucano.

No Plenário, o senador tucano listou diversas outras irregularidades apontadas pelo TCU nos contratos do MinC, tais como deficiência na metodologia de enquadramento de projetos culturais nos segmentos estabelecidos na Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet); ausência de acompanhamento e avaliação dos projetos culturais durante sua execução; ausência de registro de localidade de efetiva realização dos projetos culturais; alto estoque de processos de prestação de contas sem análise conclusiva; Deficiência na verificação do cumprimento do princípio da não concentração por segmento e por beneficiário;

Para resolver problemas como os listados acima, o Líder do PSDB incluiu em seu projeto protocolado na Mesa do Senado dispositivo que busca instituir a obrigatoriedade da publicação de dados relativos a projetos culturais “que tenham captado recursos mediante renúncia fiscal e que não tenham sido objeto de avaliação final pelo Ministério da Cultura”. Alvaro Dias destacou que seu projeto pode vir inclusive a ajudar o TCU a realizar a fiscalização dos contratos no setor cultural.

O TCU possui apenas 24 funcionários operando no controle do programa de fomento cultural. Esse reduzido contingente administrativo levaria 64 anos para zerar o estoque de prestações de contas pendentes, considerando uma média de 127 análises concluídas. E isto porque se consagrou este governo a total falta de prestação de contas. O governo não fiscaliza. O governo apenas repassa, e repassa cada vez mais, e generosamente para aqueles que estão próximos do poder. É preciso corrigir esta distorção”, conclui Alvaro Dias.

Assessoria de Comunicação da Liderança do PSDB no Senado

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