domingo, 17 de agosto de 2008

NOVA FRIBURGO PRECISA DEIXAR DE SER A CIDADE DAS QUATRO RODAS

Assim que a “Lei Seca” do trânsito passou a vigorar, comemorei muito a aplicação das novas normas, muito embora já esperava que, com o passar do tempo, a fiscalização poderia ir se tornando ineficiente tal como ocorreu quando foi aprovado o Código de Trânsito Brasileiro.

Entretanto, tenho pra mim que, apesar de avanços e retrocessos na elaboração de políticas públicas para o trânsito, num futuro não muito distante as gerações seguintes lembrarão do nosso tempo como uma triste época de lamentáveis acidentes causados pela irracionalidade humana em que o homem destruiu a si mesmo e à natureza por causa do automóvel.

Hoje em dia, nos países do então denominado Primeiro Mundo, não é mais considerado como um símbolo de modernidade as cidades andarem entupidas de carros particulares congestionando as vias públicas, muito embora nas capitais terceiro-mundistas possamos observar o oposto como ocorre na Cidade do México, em Jacarta e na inchada Mumbai, na Índia, país onde foi criado recentemente um automóvel de preço bastante acessível ao consumidor.

Atualmente nos países europeus, tanto o meio ambiente natural quanto o artificial são devidamente protegidos a fim de que seja promovido o bem estar das pessoas, sempre com muita racionalidade. Cidades como Roma e Londres chegam a cobrar uma espécie de pedágio para que o motorista possa circular com o seu automóvel individual. E na França, a administração pública parisiense busca reduzir as áreas de circulação e de estacionamentos gratuitos para os carros, estimulando a criação de corredores de ônibus, ciclovias e calçadões para pedestres, além de uma ampliação das áreas verdes no ambiente urbano.

Embora tais exemplos possam referir-se a grandes cidades de países ricos, percebo que, apesar do pequeno tamanho de Nova Friburgo, as iniciativas inibitórias acima referidas poderiam ser proporcionalmente aplicadas por aqui, desde que se invista também na melhoria na eficiência do transporte coletivo elevando-se os padrões de qualidade.

Considerando o tamanho de Nova Friburgo, solucionar o problema do trânsito juntamente com uma nova política de transportes e de planejamento urbano não iria ser tão difícil quanto resolver os engarrafamentos de São Paulo e Rio de Janeiro. Culpar a passagem da rodovia RJ-116 a meu ver não seria motivo para o nosso problema, pois bastaria que a cidade tivesse um projeto voltado para ampliar os horários dos ônibus e melhorar a frota de veículos já existente com o apoio expresso da população.

O estacionamento nas ruas deveria deixar de ser gratuito, conforme já é no Rio de Janeiro, exceto para grupos específicos de pessoas como idosos acima de 65 anos e portadores de deficiências.

Por sua vez, o problema da falta de espaço para vagas nas garagens nos condomínios deve ser resolvido através de um obrigatório sistema de rodízios a fim de que o assunto seja tratado como uma questão coletiva e não individual.

E, finalmente, a ciclovia de Olaria até Conselheiro Paulino precisa sair do papel para que o cidadão friburguense tenha a opção de fazer uso de um transporte plenamente saudável.

Todavia, apesar dessas iniciativas garantirem uma boa expectativa de resultado, o essencial está na mudança de mentalidade da nossa população. Ou seja, o friburguense deve idealizar viver numa cidade limpa, segura e ecologicamente sustentável que seja cada vez menos dependente das quatro rodas.

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