Ex-prefeito do Rio e com experiência em analisar por conta própria pesquisas de intenção de votos, o pré-candidato do DEM ao Senado, Cesar Maia, prevê uma eleição presidencial decidida por Minas Gerais e Rio de Janeiro - e em um viés momentaneamente desfavorável a quem ele próprio apoia: o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).
O motivo para Cesar Maia é a derrubada da candidatura do petista Fernando Pimentel ao governo mineiro, que, paradoxalmente, favoreceria o PT por colocá-lo em um palanque único no Estado, evitando atritos.
O ex-prefeito carioca provoca e insinua que o PT tentaria até atrair o apoio em Minas do ex-governador Aécio Neves (PSDB). Para ele, a decisão da executiva nacional do PT "fortaleceu Hélio Costa (ex-ministro das Telecomunicações, que disputará o governo pelo PMDB) e com apenas um (candidato a) senador,(Pimentel), querem claramente fazer a chapa com Aécio. Espertinhos", respondeu ao Terra, por e-mail.
Esta última hipótese, entretanto, é sepultada pelo fato de Aécio concorrer ao Senado apoiando o também tucano Antonio Anastasia, seu ex-vice, para o governo.
Segundo a análise de Cesar Maia, o fator de desempate no Rio e em Minas deve-se a um provável equilíbrio entre as vantagens de Serra em São Paulo mais a região Sul e de Dilma Rousseff (PT) no Norte e no Nordeste, enquanto o Centro-Oeste tende a um empate.
Avaliando pesquisa do Ibope realizada entre 31 de maio e 3 de junho e registrada no TSE (13642/2010), Maia lembra que no Sul-SP Serra abre 46% x 26%, enquanto no Norte-Nordeste Dilma tem 47% x 27%. "A tendência é SP + Sul e Nordeste + Norte se anularem, o que levaria a eleição ser decidida em Minas e Rio, que somam praticamente 20% do eleitorado votante". A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Quanto à falta de um palanque próprio para Serra no Rio de Janeiro, já que Fernando Gabeira (PV), apoiado pelo PSDB no Estado, tem sua própria candidata à Presidência, Marina Silva, Cesar Maia avalia que o tucano não sairá necessariamente prejudicado. "Depende da performance da Marina. Se ela cair em geral e no Rio também, a tendência será o voto útil no primeiro turno", disse.
Outro instituto, o Vox Populi, aferiu vantagens de Serra em Minas Gerais e de Dilma no Rio de Janeiro, em pesquisas há cerca de um mês. No Rio, a petista teria vantagem de 44% x 27% nas intenções de voto, enquanto em Minas, o tucano venceria por 38% x 35%. As pesquisas foram registradas em 10 de maio no TSE - números 11321/2010 (MG) e 11323/2010 (RJ) -, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Em duas das três vezes nas quais se elegeu prefeito do Rio, Cesar Maia contrariou as previsões de pesquisas. Apesar de, em ambos os casos, ele ainda estar na margem de erro, não estando descartada sua ida ao segundo turno, em 1992 e 2000, Maia aparecia em terceiro lugar a poucos dias da eleição. Em 1992, então no PMDB, ele ultrapassou Cidinha Campos (PDT) e venceu Benedita da Silva (PT) no segundo turno.
Em 2000, então no PTB, passou Benedita e derrotou Luiz Paulo Conde (DEM - então PFL), seu ex-apadrinhado político. Acabou se tornando desafeto histórico do presidente de Ibope Carlos Augusto Montenegro.
Terra
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