segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Serra Sons emite nota oficial

Nota Oficial sobre o Serra Sons

Após a tragédia natural acontecida em janeiro deste ano, onde mais de mil pessoas foram mortas na cidade, fomos chamados para realizar um evento que teria o objetivo de resgatar o turismo, a cultura e elevar a auto-estima da população.

Do dia 15 de julho ao dia 17 de julho, então, realizamos, com recursos próprios, o evento Beto Guedes em Lumiar, com tudo perfeito - som, luz, público... tivemos todos os hotéis e pousadas lotados e uma aprovação muito grande da população e dos seus visitantes. E neste momento, lançamos um projeto de transformar Lumiar na capital da MPB.

No período do Beto Guedes, procuramos várias empresas e uma delas nos posicionou a possibilidade do apoio, no valor de R$250.000,00, para o Serra Sons Festival, desde que este projeto estivesse incentivado. Apresentamos o projeto ao edital da Secretaria Estadual de Cultura para a lei de incentivo, e fomos aprovados para uma captação de R$776.000,00, publicado no diário oficial de 08 de agosto de 2011.

Outra grande empresa se interessou e nos pediu o projeto para captação de R$200.000,00 foi uma cervejaria, que entrou na negociação para entrar no projeto com um aporte de R$100.00,00.

As negociações estavam indo muito bem, tudo levava a crer que as respostas seriam positivas. Foram feitas reuniões de conceito, discutindo como seriam os fundos de cores para selecionar as imagens das logos das empresas. Ficamos eufóricos, já existia inclusive, uma prévia dos pagamentos.

A comunidade eufórica comemorava a idéia. E como tínhamos um capital limitado, resolvemos sinalizar alguns artistas para não perder as datas. Optamos em fazer isso com os artistas com maior cachê, e até então, já havíamos colocado cerca de R$ 90.000,00 do nosso bolso no projeto. Fizemos várias reuniões com a comunidade e foi determinado que o preço dos ingressos para a comunidade, inicialmente, seria metade do valor do ingresso, entendendo comunidade como toda Nova Friburgo.

Começamos as vendas antecipadas e já tivemos alguns problemas, pois algumas pessoas começaram a comprar ingressos de morador, até mesmo donos de pousadas, para atender seus clientes, mas mantivemos nossa palavra e os prazos destas vendas, de 60 dias, foram respeitados. Alguns meios de hospedagem também começaram a pedir um valor fora da realidade e outros acreditando na especulação começaram a responder aos clientes que estavam lotados, assim dois meses antes, supostamente, não se tinha mais vagas em hotéis na região e a procura era grande.

Dois meses do evento, sofremos um baque que chegou a colocar em risco a realização do evento: uma nota no principal jornal da cidade - A voz da Serra, colocado pelo então Sec. de Turismo da cidade, Sr. José Carlos Motta, dizia que o evento corria risco de não ser realizado. E isso gerou um transtorno. Foram várias reuniões com os empresários e o poder público para achar uma solução.

Enquanto isso, no meio desse processo, não sabe se por medo que o evento não fosse realizado, os possíveis patrocinadores foram se retirando do evento, um a um. O primeiro grupo empresarial, depois de mais de 4 meses de negociação e várias reuniões, alegou que a empresa do grupo de Nova Friburgo havia sido isento de recolher impostos por conta da tragédia e que a verba do grupo como um todo, seria destinada a outro projeto na área esportiva. A outra empresa foi mais direta - não queremos problema com a prefeitura.

As exigências para a legalização do evento foram restritivas para a realização. Teria que acontecer das 15 as 22h, além de outras exigências que foram integralmente cumpridas.

Neste momento, mais uma empresa se retira do evento - a cervejaria disse não ter mais interesse no projeto. Um duro golpe, pois neste acordo muitas coisas viriam agregadas, inclusive uma marca de ice e outra de energético, além de um importante restaurante de Nova Friburgo.

Fizemos então uma reunião ampliada em Lumiar, avaliando os riscos do evento e um balanço das vendas. As vendas locais a preço de meia entrada, avançavam. Resolvemos então colocar à venda pela internet e abrir os novos postos de vendas. Estávamos há um mês do evento, e as vendas de ingressos a 25 reais, já nos permitiam pagar alguns sinais de servidores, como som e luz, e tínhamos uma mídia ávida por notícias, mas nenhuma captação.

As possibilidades de uso da Lei de Incentivo se esgotaram.

Neste momento, ir a Lumiar, nos dava uma falsa impressão que tudo daria certo, pois todos nos abraçavam como heróis - "Caramba, vai dar 5 mil todo dia, vocês vão arrebentar" - mas as vendas fora de Lumiar não andavam. A prestadora Ticket for fun de vendas pela internet, emitiu e-mail com grande preocupação devida a fraca venda, e por contrato acordado definiu-se encerrar suas vendas no dia 31 de outubro.

Há 15 dias do evento, não tínhamos nenhuma empresa de bebida fechada, nem barraqueiros, mas isso porque todos barganhavam ao extremo. Muitas empresas procuradas por nós, como o Bob's, estavam com o operacional voltado para o Rock in Rio.

Uma nova grande esperança surgiu com as negociações com a Auto Viação 1001, que abriu grandes possibilidades de reduções nas pressões:

1) da questão relacionada às hospedagens, uma das restrições para as vendas de ingressos;

2) redução de carros em Lumiar;

e 3) a ampliação das vendas nos guichês da empresa em várias localidades.

Estávamos acompanhando a planilha financeira dia a dia, e neste momento chegamos a conclusão que o prejuízo seria similar, realizando o evento ou não realizando, e já havíamos pago metade do valor do projeto.

Uma decisão da não realização do evento não nos faria ressarcir o público de imediato. O adiamento foi cogitado, mas por conta da carreira internacional de alguns artistas, ficou inviável. Bolou-se uma estratégia de emergência, convidamos novos atores para ajudar na captação, deixamos de tentar fechar com uma empresa a comercialização de alimentação e voltamos à ideia de fechar as barracas individualmente. Reduzimos o valor para as barracas em 50%, pois as barracas eram tidas com um dos gargalos do evento, para as pessoas terem o que comer e beber em Lumiar, já que no evento Beto Guedes, até água faltou para vendas nos mercados locais.

Ofertamos stands publicitários para mais de 400 empresas, gentilmente com os contatos oferecidos pela ACIANF – Associação Comercial de Nova Friburgo -, reduzindo também em mais de 50%, e oferecemos espaços publicitários. Nenhuma empresa se interessou. Tivemos apenas dois parceiros comerciais, que por motivos óbvios e gratidão, não iremos expô–los, que nos ajudaram com as chamadas na rádio e mídia impressa. Apenas 4 barraqueiros se interessaram.

Na semana do evento, outro desafio: O prefeito de Nova Friburgo é afastado do cargo e a configuração política fica instável. Alguns gastos começam a surgir com isso. O palco 2 , não veio do tamanho pedido, e foi necessário que a gente arcasse com despesas de transportes para levar os equipamentos.

Um dia antes, sai na imprensa que o novo prefeito convocaria uma reunião e mudaria todo o secretariado. Para se ter uma ideia, os convites do evento foram no nome de uma pessoa e chegaram às mãos de outra.

Não tínhamos ideia, dois dias antes, se a composição feita de trânsito e segurança iriam funcionar. Tudo isso consumindo uma enorme energia emocional e tempo para efetuar tarefas, que muitas vezes tiravam o foco na reta final.

Uma corrida se dá para buscar os ingressos em 35 postos de vendas espalhados na região litorânea e serrana, para os quais somos extremamente gratos e os isentamos de todas as responsabilidades. As expectativas não refletiam a realidade das vendas, mas todos diziam que a prática da região era a compra na última hora.

O evento começa a ser realizado com todos os elementos necessários e exigido pelos artistas: som, palco, luz e estrutura de primeira qualidade, digno dos artistas. E tudo confortável para o público: Banheiros químicos suficientes, estacionamentos com vagas perto de duas vezes mais que a estabelecida para a legalização do evento, transporte de qualidade durante toda noite e madrugada.

Lulu Santos – infra estrutura com cerca de 80 seguranças exigidos pela prefeitura, 60 banheiros químicos, inclusive banheiros na rua em áreas de acesso ao evento, catadores de materiais recicláveis no evento. E depois do evento, todos deram 10 com louvor, mas abrimos as portas acreditando que mesmo com todo nosso esforço, teríamos condições de levar o evento até o final, já que tínhamos pago 60% do evento, após o show do Lulu. Quando nos abraçamos após o show, recebemos a notícia que a bilheteria teria vendido apenas 11 ingressos, isso foi inacreditável, tínhamos a experiência do show anterior que havíamos realizado em Lumiar – Tunai 183 ingressos na hora, Beto Guedes – 650 Ingressos na hora e Raiz do Sana – 250 ingressos na hora. Nossa expectativa era de pelo menos uns 500 ingressos no dia do Lulu.

A produção do Lulu foi extremamente generosa, mesmo com todas as exigências profissionais, merecedora pelo espetáculo em si, recebeu o complemento do show, apenas 40 minutos antes do evento, com inclusive os recursos pré reservados para o pagamento dos seguranças, opção esta adotada como um ato de responsabilidade, haja vista que se o Lulu não subisse ao palco, um caos poderia se instalar, bem como o cumprimento da exigências determinadas.

Alguma força nos movia para continuarmos o evento em respeito ao público. Durante o show do Lulu, recebemos a notícia de uma notificação no valor de R$2.900,00 para cada fração de meia hora do tempo excedido do término, que era de meia noite na sexta ,e de 10 horas dos demais dias.

Comunicamos isso à produção do Lulu às 21h, mas ele estava cansado da viagem e resolvemos arcar com a multa, mesmo se ela viesse, e aceitamos que o show começasse à meia noite, o que começou pontualmente.

No sábado pela manhã, comunicamos às 3 da manhã ao empresário de Zeca Baleiro, que não teríamos condições de acertar o cachê restante na chegada ao aeroporto, como combinado, e assim pedimos que não viessem de São Paulo. É importante ressaltar que a produção do artista foi bastante tolerante conosco, pois nós havíamos sinalizados o artista em R$10.000,00, pagos suas passagens aéreas, mas não tínhamos levantado o restante do cachê.

A possibilidade do Zeca Baleiro se apresentar no dia 15 foi conversada com seu empresário, que demonstrou interesse numa saída boa para ambas as partes.

Dia 12 de novembro – Após as definições da não participação do Zeca Baleiro, informamos à comunidade e ao público, através de cartazes na bilheteria e no site do evento, do adiamento. Uma das nossas funcionárias chegou a ser ofendida moralmente de forma extremamente violenta.

Contornado vários problemas, contamos com grande generosidade de Alceu subir ao palco, mesmo faltando ainda 25% do cachê. Seu empresário topou ficar na bilheteria para receber o que faltava, mas para nossa surpresa, apenas 60 ingressos foram vendidos na bilheteria no dia. Porém após o show do Alceu, várias pessoas nos informaram que haviam ingressos vendidos na porta do evento por até 10 reais - nosso ingresso na bilheteria custava R$60,00. Nossa empresa fornecedora de ingressos, que fica localizada em Porto Alegre, sempre foi íntegra e séria, é a maior empresa do segmento, e de nossa total confiança. Suspeitamos de um derramamento de ingressos, pois nosso borderô fechou em 2.800 pagantes e haviam pelo menos umas 4 mil pessoas no local.

Dia 13 de novembro – Convocamos uma reunião com a equipe de produção pela manhã, pois na noite anterior, uma amiga, Valéria, nos informou às 21h, que a empresária do cantor Flávio Venturini, havia colocado uma nota numa rede social falando do cancelamento do show do artista no evento. Somos muito gratos à tolerância e o carinho do Flávio em ir até Nova Friburgo, mas a forma passada ao público que já estava no local, no nosso entendimento, deveria ser através de uma nota conjunta, principalmente citando que o evento continuaria.

Mas o que aconteceu foi um desastre. Fomos pegos de surpresa, já pela manhã, com pessoas nos ameaçando, ostensivamente, de agressões físicas, caso não devolvêssemos os valores dos ingressos imediatamente. Sem proteção naquele momento, optamos pelo adiamento do evento. Em caso de permanência, correríamos o risco de ter nossa integridade ameaçada, ou mesmo a integridade física de outrem.

Solução – Estamos entrando em contato com todos os empresários dos artistas contratados, principalmente do show do dia 14, onde a venda de ingressos havia nos permitido pagar 50% dos cachês de Milton Nascimento, Toninho Horta e 80% do Show de Lô Borges.

Para a realização de um novo show, esperamos essa solidariedade de todos os envolvidos, principalmente os artistas que estão cientes das nossas dificuldades. E queremos dar a opção da nova entrada ou a devolução. Essas datas serão definidas em breve.

Estamos procurando todos os nossos fornecedores e prestadores de serviço para negociar nossas dívidas.

Lamentamos demais o ocorrido e somos gratos aos apoios e incentivos de tanta gente bacana, que esteve conosco nos apoiando, até mesmo com um sorriso. Jamais pensávamos neste episódio, terminar desta forma triste. Somos culpados sim, por nossos erros. Acreditamos muito no tripé: um lugar incrível, música de qualidade e público fiel. Conseguimos mostrar nestes dois primeiros dias de evento, e no evento anterior, que o projeto tem tudo prá dar certo, sabemos que, como pessoas físicas ou empresa, ficamos desgastados, mas quem sabe os empresários, que não nos abriram as portas, possam ser solidários agora, e nos procurem para levar estes shows, que já estão mais da metade pagos!

Fomos acusados, injustamente, de ter saído de Lumiar com o dinheiro do show, mas não é verdade. Abrimos nossas contas pessoais, e da empresa, para avaliações.

Pedimos nossas desculpas, e nos colocamos à disposição para esclarecer qualquer dúvida.

A produção

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