Durante entrevista realizada na Fundação Municipal de Saúde, no Centro Administrativo César Guinle, na Avenida Alberto Braune, o secretário municipal de Saúde, Renato Abi-Ramia, disse que a principal meta de sua gestão será ampliar o atendimento médico em Nova Friburgo, através de contratação e melhoria salarial. Com um prazo curto e uma pasta ampla, Dr.Renato pretende também, melhorar a qualidade na compra de medicamentos; entregar o novo Plano Municipal de Saúde; abrir novas unidades básicas de saúde em áreas não contempladas, basicamente na Zona Rural e trabalhar conjuntamente com o Conselho Municipal de Saúde.
“Temos uma estrutura bem grande. Inicialmente nos deparamos com problemas sérios. Um deles foi o divórcio entre a Prefeitura e o Conselho Municipal de Saúde, canal de participação social na gerência e fiscalização, que trabalha de forma associada conosco. As ações deliberativas do conselho tinham sido suspensas durante 60 dias. Porém, elas são absolutamente necessárias para que a secretaria possa funcionar normalmente”.De acordo com Roberto Monneratt, membro da comissão executiva do Conselho Municipal de Saúde, há anos existe um mau relacionamento entre o conselho e o poder executivo, porque, na realidade, os gestores anteriores não aceitaram cumprir a lei. “Com Dr. Renato há uma expectativa grande. Acreditamos que haverá mudança no comportamento, através da implantação de gestão na Saúde. Acho que ele tem um prazo curto para que a população cobre algo dele. Estamos à beira do caos, mas acreditamos que o Renato abrirá uma perspectiva de futuro e de diálogo”, disse.
Para o secretário municipal, tudo tem que ser aprovado pelo conselho, órgão consultivo e deliberativo. “A execução é nossa, mas precisa ter o aval do conselho. Pedimos ao prefeito Sérgio Xavier que homologasse a eleição o mais rápido possível, fato que foi prontamente atendido”.
Sobre essa estrutura grande da Fundação Municipal de Saúde da Prefeitura de Nova Friburgo que o Dr. Renato falava, ele disse que será revista, através da reestruturação do organograma. Sobre o Plano Municipal de Saúde, exigência do Governo Federal e do Ministério Público, Dr. Renato disse que está pronto, mas que precisa ser aprovado pela câmara e homologado. “Muitas irregularidades foram encontradas, como gastos supérfluos; questão de medicamentos de baixa qualidade e suspensão de licitações para compra de remédios. A empresa Mazan, que terceirizou a alimentação do Hospital Municipal Raul Sertã é outra herança maldita. No dia 14 de dezembro, o contrato da Mazan terminou. Essa empresa foi contratada em caráter emergencial no período da catástrofe para fornecimento da alimentação no hospital. Todos os gêneros alimentícios são comprados por ela. Temos que recontratar funcionários. Sessenta ao todo. O conselho acha que o município tem que gerenciar o restaurante, mas essa empresa deu uma qualidade e uma coisa que não quero é diminuir o padrão. Essa será outra tarefa árdua que teremos que cumprir”, disse o secretário.
Acima de todos esses percalços, o maior deles, na opinião do secretário, é a questão dos médicos. “Todos os profissionais de saúde, em geral, ganham muito mal. Os salários giram em torno de quatro mil reais para os médicos do hospital, e em torno de 1.500 reais para os médicos dos ambulatórios, para um período trabalhista de 20 horas semanais. Com esse salário ficamos refém dos médicos. Não se pode agir administrativamente nos casos de omissões”.
No entanto, em algumas especialidades, a Fundação Municipal de Saúde já começa a driblar as carências. Recentemente, o governo municipal inaugurou um novo ambulatório no HMRS, que veio a oferecer atendimentos em neurologia, proctologia, angiologia. “A Otorrinolaringologia e pequenas cirurgias, ainda levará um pouco mais de tempo, porque temos poucas salas e poucos profissionais para tantas demandas. Por isso, vamos fazer alguns mutirões de atendimentos”, revela Abi-Ramia.
Militante da saúde como médico e homem público há muitos anos, Renato Abi-Ramia conhece as carências da rede. A psiquiatra e especialistas na área de hipertensão (uma das causas de mais mortes no país) foram apontadas por ele. “Vamos contratar três médicos para o Programa HIPERDIA. Temos 35 mil hipertensos cadastrados, número que não é atendido em sua plenitude. Por isso, rever a questão salarial é fundamental, para preenchermos essas lacunas. Precisamos contratar 14 médicos para os ambulatórios, para reduzir e acabar com as filas. Reforços em endocrinologia, diabetes, oftalmologia, entre outros”.
O secretário de Saúde informou que vai exigir também a melhoria na qualidade dos remédios que são adquiridos. Ele pretende acabar com os chamados remédios bonificados, de baixa qualidade. Em relação ao Plano Municipal de Saúde, Dr. Renato alegou que ele está defasado: “Esse plano é de 1995. Ele abrange as diretrizes e metas da Saúde no município. A sua reformulação já foi feita, mas tem que ser aprovada pela Câmara Municipal para vigorar. Com isso, atenderemos ao Ministério Público”.
Ampliar o número de unidades básicas é outro objetivo. “Algumas unidades operam satisfatoriamente, como a do Cordoeira, mas a de São Geraldo precisa de reforma”, revelou Dr. Renato, que tem a intenção de entregar mais cinco unidades básicas, que oferecem atendimentos em pediatria básica, ginecologia, otorrinolaringologia, traumatologia. “Quero abrir em Amparo, Riograndina, Mury. Nesse distrito, inclusive, substituiríamos a unidade de estratégia básica de família, que tem capacidade para atender apenas 3.500 pessoas, número que é insuficiente para a realidade local. Temos que universalizar o atendimento básico. Lumiar e São Pedro da Serra não serão esquecidos”.
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