O governador Sérgio Cabral se dispõe a orar pelos desabrigados e pelo fim das
chuvas. Isso é atitude própria de quem se elegeu para proteger a população?
Escrevo este artigo na noite de quarta-feira, quando já
existem 10 mil desalojados nas regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro,
enchentes também no Espírito Santo e caos em Divinópolis e na grande Belo
Horizonte.
Depois da tragédia do ano passado, a cena
se repete: a presidente (antes era o presidente) interrompe as férias e se
dispõe a sobrevoar os locais afetados. Talvez até mande o helicóptero pousar,
para fazer uma foto, fisionomia contraída, ar de desolação. Esquecida de que,
durante os meses sem chuvas torrenciais, nada fez de prático para enfrentar o
problema.
O governo federal joga a culpa nos
governadores, que não teriam apresentado projetos que justificassem aportes de
recursos. O governador fluminense, Sergio Cabral, anuncia sem tremer a face:
“semana que vem lançarei R$300 milhões em obras”.
E se dispõe a orar pelos desabrigados e
pelo fim das chuvas. Não fosse o cinismo, estaria mais para ritual indígena do
que para atitude própria de quem se elegeu para proteger a população do seu
estado.
Como a cada dia o poder aí posto apodrece
mais, temos como novidade a “polêmica” entre o quase ex-ministro Mario
Negromonte, das Cidades, e o ainda ministro da Integração, Fernando Bezerra.
Declara o segundo: “não olhem para os
milhões da pasta da Integração e sim para os bilhões da pasta das Cidades”. O
primeiro parece ter optado por não falar, porque quanto mais abre a boca, mais
se complica.
Mas o fato é que ambas as autoridades estão
inadimplentes com as vítimas das enchentes. Bezerra, inclusive, é acusado de
haver destinado ao seu estado o grosso das verbas que tinha em mãos. E ainda
proclama que a presidente sabia disso.
Em poucas palavras, nada tenho contra
atenções a Pernambuco, terra de meu avô paterno. Tudo, porém, a favor de
equilíbrio na destinação de fundos públicos. Se faltou equilíbrio ao ministro, é
porque lhe terá sobrado provincianismo.Se faltou equilíbrio à presidente, é
porque lhe terá faltado também autoridade para conter seu auxiliar.
Em 2013, infelizmente, deverá acontecer a
mesma coisa. Providências de fundo, eternamente adiadas, encenações
pós-tragédias e paliativos acompanhados de farta intenção politiqueira.
E o governo Dilma Rousseff inaugura o
novo ano com algumas pendências graves. A maior delas diz respeito ao ministro
Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
“Consultor” semelhante a Palocci, a
coerência ordena que Dilma o demita, a menos que, nivelando por baixo,
reconvoque seu ex-Chefe da Casa Civil e declare um Carnaval de três anos. Samba
enredo: “Como Mateus, não puno os meus”.
Bom voltar a escrever, depois de uns dias
de descanso. Feliz 2012. Que o novo ano sorria aos sonhos de cada um de
vocês.
Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do
PSDB no Senado
Nenhum comentário:
Postar um comentário