Em 2012, enfrentaremos, novamente, o desafio das urnas nos pleitos municipais, quando serão eleitos mais de 5 mil prefeitos e mais de 55 mil vereadores, por todo o País. Sendo assim, ao se aproximar este momento em que a sociedade terá a oportunidade de reciclar seus representantes nos centros de decisão e de poder, uma questão diretamente ligada a nós, mulheres da política, vem à tona: a efetiva participação feminina no processo, merecedora de atenção especial, para o aprimoramento do sistema político-partidário brasileiro.
O fato é que, apesar dos notórios avanços em todos os setores da sociedade moderna, em que temos ocupado nossos espaços com muita competência e perseverança, o engajamento no campo político-partidário ainda é aquém das expectativas, não condizendo, inclusive, com a maioria da população do País, que é predominantemente feminina. Pelo Censo 2010, 51% do povo brasileiro são mulheres e 49%, homens. Esta proporcionalidade não se reflete nos Legislativos e nem nos Executivos, País afora.
Na verdade, a representatividade feminina tem até diminuído. O numero de eleitas para a Câmara Federal caiu de 50 para 43 deputadas, de 2006 para 2010, o que significa apenas 8,38% do total de cadeiras daquele parlamento. No Senado, as mulheres representam apenas 14% do total de senadores.
Este cenário não é diferente nas demais Casas Legislativas. Somente 131 mulheres representam seus eleitores nas Assembléias Estaduais, 12,3% do total de deputados. Para as Câmaras Municipais, em 2008, foram eleitas 6.508 vereadoras, de uma total de 52.006 candidatos, o que indica apenas 12,5% de representatividade feminina. Em 2004, 6.556 mulheres haviam sido eleitas.
E, pasmem, nós, mulheres, constituímos mais da metade do eleitorado nacional (51,8%). Mesmo assim, o Brasil é o país em que as mulheres têm a menor representatividade no Congresso e na vida política da América Latina. A constatação é do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Acabamos de eleger nossa primeira presidente. Dilma é a 11ª mulher a ocupar o cargo mais alto do governo na América Latina. De forma inédita, as mulheres representam mais de 25% do seu Ministério. Tudo isso é verdade, mas quando a disputa é pelo poder por meio da política, o número de oportunidades não é o mesmo do discurso fácil pela igualdade de gêneros, apregoado pelo status quo masculino atual, que domina a política mundial desde sempre. Pelos dados da Agência para Igualdade de Gêneros da Organização das Nações Unidas (ONU), somente 15 países, hoje, têm mulheres como chefes de Estado ou de Governo e o porcentual de parlamentares mulheres não chega a 20% em todo o mundo. Uma vergonha.
A entrada da mulher na política demanda algo imensurável: o tempo. Temos que dividir nossas vidas entre o trabalho, a carreira e a família. A mulher acumula duas, três ou quatro jornadas de trabalho. Então, para muitas, ainda é difícil conciliar a vida familiar e assumir uma posição político-partidária.
A grande discussão, no entanto, é: o que fazer para mudar este quadro? Alguns avanços foram introduzidos, como a inclusão de cotas mínimas para mulheres nos partidos, mas nem isso a maioria das agremiações consegue completar em suas nominatas. E os motivos vão do desinteresse à falta de política real dos partidos em formar líderes políticas. E o que não faltam são líderes e personalidades femininas, pois muitas entidades da sociedade civil têm mulheres no comando, bastando despertar nestas o interesse e engajamento político.
Neste sentido, O PTB Mulher sai na frente e aposta no constante treinamento e capacitação não só de seus quadros, mas também de possíveis interessadas em integrar o movimento. Promovemos e/ou incentivamos a participação de mulheres em cursos, seminários e palestras no Brasil e no exterior. Além disso, vamos periodicamente às ruas, com eventos e ações sociais de médio e grande porte, para divulgar o movimento e, assim, atrair novas lideranças que se identifiquem com a filosofia trabalhista. E mais, neste ano de 2011 acontecerá a nova versão do seminário Tropa de Batom, idealizado pela Executiva Nacional do PTB Mulher, que se apresenta como uma oportunidade de preparação para 120 lideranças femininas a serem selecionadas nos quatro cantos do País, visando às eleições municipais de 2012. Não posso deixar de mencionar o Concurso Nacional de Monografias do PTB Mulher, já em sua segunda edição: a intenção é atrair jovens universitários para o debate político. O tema da vez é "Previdência Social no Brasil".
Nestes vinte anos de engajamennto, nossa experiência comprova que onde há movimentos de mulheres organizados, o número de candidaturas femininas cresce, naturalmente. Por isso, peço apoio para que os diretórios estaduais e municipais organizem o PTB Mulher. Vamos lutar para inspirar as mulheres. Por força de lei, movimentos femininos têm percentual de participação no fundo partidário e 10% dos horários de televisão e rádio.
Temos que aproveitar oportunidades e arregimentar mulheres para estarem presentes, efetivamente, na política. Acredito que o potencial feminino é indispensável à política e aos partidos. E a participação crescente das mulheres nas grandes discussões e centros de poder, fundamental à democracia. Só assim conseguiremos a verdadeira justiça social almejada por todos nós.
* Cristiane Brasil é Presidente Nacional do PTB Mulher e Secretária de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida da Prefeitura do Rio de Janeiro
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