segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Monitorame​nto climático reduz 42% do uso de agrotóxico​s em lavouras da região Serrana

Projeto da Pesagro-Rio instalou equipamentos em 10 propriedades em Nova Friburgo e Sumidouro

A redução de 42% no uso de agrotóxicos em lavouras de tomate da Região Serrana, nos últimos quatro meses, é um dos resultados positivos já obtidos com o trabalho de monitoramento climático implementado em Nova Friburgo e Sumidouro. A iniciativa faz parte de um projeto de pesquisa da Pesagro-Rio (empresa vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Pecuária), financiado pela Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e em parceria com a empresa privada Olearys.

Equipamentos instalados nas lavouras colhem informações sobre a quantidade de chuva, temperatura, umidade relativa do ar e o molhamento das folhas, tempo médio em que a vegetação permanece com água na superfície. Os dados são enviados a cada 15 minutos para um servidor em São Paulo e, após processados, ficam disponíveis para os agricultores familiares na internet.

"Agora está mais fácil trabalhar. Com o acompanhamento pela internet só fazemos a aplicação de produtos realmente necessária. Quando o clima está propício para que a planta tenha uma requeima ou uma 'pinta preta', entramos com o defensivo na quantidade e hora certas. Assim estamos conseguindo colher um tomate mais saudável para o consumo", contou a produtora rural Sônia Maria Veiga, que já acompanha sua lavoura há dois meses.

Inicialmente, dez 10 plataformas - que cobrem um raio de cinco quilômetros cada - foram instaladas. Outras 10 deverão entrar em funcionamento em propriedades de Paty do Alferes, Vassouras e Duas Barras a partir de abril, de acordo com o engenheiro agrônomo e presidente da Pesagro-Rio, Silvio Galvão. O projeto contará também com o apoio da Emater-Rio no gerenciamento das novas unidades. "Através do monitoramento, estamos seguindo um modelo clássico de controle de doenças, correlacionando as condições climáticas com os níveis de infecção favoráveis à sua ocorrência. A partir daí, disparamos o alarme para o produtor através de e-mail, torpedo, telefonema ou fax", explicou o pesquisador.

Para o secretário Christino Áureo, a sustentabilidade não pode ser apenas uma palavra da moda, tem que se traduzir em ações. "Nada melhor que a parceria com a iniciativa privada que atua no setor e produtores rurais para que possamos alcançar os resultados que estamos conquistando", acrescentou.

Ao reduzir em 42% a utilização de defensivos agrícolas, além dos benefícios para a saúde e meio ambiente, o produtor também economiza por safra, a cada mil pés de tomate, R$ 300 com a compra dos produtos e 4.800 litros de água doce limpa, já que não precisa utilizar este recurso hídrico na diluição do agrotóxico para pulverizar a lavoura.

Segundo o agrônomo da Olearys, Lucas Baroni, o monitoramento possibilita economizar tempo e dinheiro, além de beneficiar o meio ambiente, na medida em que reduz a poluição do solo, água e ar e a saúde do produtor e consumidor.

Na propriedade do produtor Elson da Silva, em quatro meses, seguindo o ciclo da cultura, houve uma redução de até 60% no uso de agrotóxicos nas lavouras onde os equipamentos foram instalados. O custo total da produção também despencou nas plantações de tomate monitoradas pelo sistema. Houve queda de mais de 50% nos gastos em relação ao cultivo tradicional. "Vai fazer quase três meses de plantio e só fizemos seis aplicações. Se tivesse sem o equipamento aqui, já teríamos feito umas 18, mais ou menos", disse.

Ainda segundo o presidente da Pesagro-Rio, o projeto de monitoramento, que foi apresentado a pequenos agricultores familiares, vem despertando o interesse de médios e grandes produtores que têm participado dos dias de campo nas lavouras para aprender sobre a nova tecnologia.

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