Por César Maia
Política é uma arte que se transmite por proximidade. As gerações políticas que se sucedem são do entorno dos líderes. Por isso é natural e esperado, em parte, que a arte política se transmita aos filhos. Dentro da arte da política, a arte da comunicação, do argumento e do convencimento é um vetor básico.
Sendo assim, uma das maiores responsabilidades dos líderes é formar quadros sucessores. Antes, isso era feito espontaneamente, já que os círculos políticos eram estreitos. Nos últimos anos, especialmente em função do alcance da comunicação, da tecnologia eletrônica, das técnicas desenvolvidas, os círculos se abrem.
Dessa forma, com uma concorrência muito maior, com uma grande volatilidade do apoio popular, o trabalho espontâneo da formação de sucessores se torna muito mais complexo. Os líderes deixam de se dedicar, como antes, à formação de quadros sucessores e na hora da sucessão vem a surpresa: não há quadros preparados politicamente.
A alternativa é chamar publicitários, realizar mídia training, inventar um sucessor, deixando a responsabilidade de formação para agências. Se uma conjuntura de popularidade ajuda a transferência de voto combinada com a marquetologia política, mesmo nesse caso, uma eventual vitória eleitoral lança a sucessão política num vazio, numa loteria. O sucessor terá que, no poder, adquiri a arte que antes se adquiria por proximidade.
Para 2014 são inúmeros os exemplos de inexistência de sucessor formado por proximidade e os nomes escolhíveis entram na ciranda eletrônica. São exemplos o PT em S. Paulo e dos governadores do Estado do Rio, de Minas, da Bahia e de Pernambuco, para ficarmos por aqui. E seguem doses cavalares de visibilização.
Olhando para trás e num exemplo maior, a presidência da República. Lula, no auge da popularidade, improvisou e venceu. Hoje se vê que se algo falta à presidente é exatamente não ter aprendido o suficiente da arte da política. E lá vêm as redes de TV, o populismo fiscal, massas de publicidade procurando substituir a arte da política que não sucedeu.
E que se rode a roleta para ver o que ocorrerá.

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