Como o torcedor reagirá ao sistema eruropeu de ingresso ao estádio, aplicado no Brasil?
É verdade. O futebol brasileiro enfrenta uma equação de difícil solução para seus clubes serem competitivos: receita de terceiro mundo e despesa potencial de primeiro mundo, se mantiver os craques. Claro, receitas em geral nos estádios, incluindo todo tipo de publicidade e promoções.
Na Europa, a equação dos estádios é resolvida da seguinte forma: os torcedores de maior renda vão aos estádios e compram ingressos caros e os torcedores de menor renda ficam vendo na TV. No Brasil é o inverso e, com isso, a receita dos clubes pela transmissão na TV é maior que pela venda de ingresso nos estádios. Lá, a renda média da população é bem maior.
Agora se tenta aplicar no Brasil o sistema europeu. Isso foi feito em Brasília, no jogo Santos e Flamengo, e no Rio, no jogo Brasil e Inglaterra. As rendas foram recordes de todos os tempos: quase R$ 7 milhões em Brasília e quase R$ 9 milhões no Rio. Com um público pagante de 70% da capacidade do Maracanã, o valor médio do ingresso alcançou 150 reais.
Quem pode pagar isso? Bem, só a classe média alta. Uma família padrão gastaria, só de ingressos, quase um salário mínimo. Essa inversão –pobres à TV, classe média alta aos estádios- mudará a coreografia das torcidas, onde é o torcedor popular a grande massa que grita, canta, gesticula e leva suas enormes bandeiras, chora, sofre e ri.
E como reagirá o torcedor popular? Irá assistir em casa e pagar a tv por assinatura? Irá a um bar que comprou o pacote da tv por assinatura? Protestará por ter perdido um entretenimento ao qual seu bisavô carioca acostumou seu avô e agora a seu pai e mãe, irmãos e irmãs?
Bem, essa será a equação que transformará as concessões dos estádios em sucesso..., ou estrondoso fracasso de imagem. Isso se todos se comportarem bem fora dos estádios.
Ex-Blog Cesar Maia

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