A insistência na contratação de quatro mil médicos cubanos tem provocado muita
dor de cabeça ao governo federal. A medida foi considerada irregular pelo
Ministério Público do Trabalho e encontra resistência por todos os lados.
Deputados do PSDB criticam a forma como a gestão Dilma resolveu “solucionar” os
problemas da saúde pública. A medida, que surgiu como fórmula mágica para
melhorar o setor e distribuir médicos em regiões carentes, é atrapalhada e
carece de planejamento.
Instituições representantes de profissionais brasileiros prometem recorrer à
Justiça para evitar que o país submeta os médicos cubanos a condições de
trabalho degradantes. O procurador do MPT José de Lima Ramos Pereira
afirma que a forma de contratação é totalmente irregular e fere a legislação
trabalhista e a Constituição.
O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pedirá que o
MPT acompanhe o programa Mais Médicos e os profissionais quanto ao cumprimento
da legislação. O tucano também defende a revalidação do diploma dos
profissionais de outros países, critério dispensado pelo Planalto. Auditores
fiscais do Ministério do Trabalho em São Paulo e a comissão da OAB-SP que trata
de assistência médica também questionam a legalidade da contratação.
Os profissionais de Cuba terão condições diferentes das dos demais
estrangeiros que aturam no Mais Médicos. A bolsa de R$ 10 mil ao mês não será
paga diretamente aos médicos, mas repassada ao governo cubano, que fará a
distribuição a seu critério. A gestão Dilma diz que, em parcerias entre Cuba e
outros países, costuma haver um repasse de 25% a 40% do total, o equivalente a
R$ 2,5 mil a R$ 4 mil.
Os deputados Izalci (DF) e Marcus Pestana (MG)
temem pela qualificação desses médicos, já que não passaram pelo teste
de revalidação de diplomas, e pela precariedade nas condições de trabalho. A
questão, segundo os tucanos, é humanitária. “Não entendo como o PT consegue
aceitar essas condições impostas por Cuba. Esses médicos vão chegar nesses
locais onde não há nenhuma infraestrutura. Mas para eles está tudo ótimo porque
terão casa e comida”, criticou Izalci em pronunciamento.
Para o deputado, o governo Dilma resgata a escravidão ao “trazer médicos de
fora que terão que se sujeitar a receber 25% do seu salário, que nem é salário,
mas sim uma bolsa. Não há garantia nenhuma, nem férias, 13º salário ou nem fundo
de garantia”.
Os parlamentares afirmam que o déficit de médicos se deve à falta de
planejamento e de investimentos no setor. A contratação dos estrangeiros,
segundo eles, deveria ter sido discutida e aliada a ações de médio e longo
prazo.
Pestana avalia que a dificuldade para estabelecer médicos em determinadas
regiões do país se dá pela precariedade das estruturas e das condições de
trabalho. “Não se deve ter preconceito contra os médicos estrangeiros, só que o
governo está fazendo tudo de forma autoritária, sem diálogo com o Congresso ou
mesmo com os diversos setores que compõe o sistema público de saúde”, pontua.
Para ele, é um atropelo o governo trazer os estrangeiros sendo que o
Legislativo sequer deu seu parecer à Medida Provisória que cria o programa Mais
Médicos. “Há uma dimensão político-eleitoral nisso. O governo conduziu muito mal
essa questão e vamos caminhar para mais impasses. É um retrocesso”, lamenta.
Pelo Twitter, o
deputado Fernando Francischini (PR) considerou
um absurdo a forma como o Planalto quer contratar os estrangeiros. “Médicos
cubanos não podem nem trazer a família! Ditadura de esquerda disfarçada de
ideologia bem intencionada, igualzinho o PT. Absurdo! Médicos cubanos
escravizados com apoio da Dilma e do PT. Receberão só 1/4 do salário pago ao
governo cubano!”
-> O “Correio Braziliense” divulgou na sexta-feira um “termo de
conduta de trabalho” imposto pelo governo de Cuba a médicos enviados à Bolívia
em 2006. Para se ter uma ideia, de acordo com o termo, o cubano deveria pedir
permissão ao superior caso fosse sair à rua depois das 18h, além de informar
para onde ia e com quem. Em caso de relacionamento amoroso com algum ‘nativo’, o
profissional deveria informar imediatamente o chefe. Os médicos também não
poderiam fazer empréstimos de dinheiro ou dar informações sobre Cuba.
-> A ditadura cubana trata os profissionais como meras mercadorias em
Cuba – e isso não é figura de retórica. O item “exportação de serviços médicos”
é o que mais gera divisas para o país dos irmãos Castro, como relata a “Folha de
S.Paulo”. Com o negócio, a ilha arrecada cerca de US$ 6 bilhões por ano, mais do
que consegue com o turismo e com as exportações de níquel, por exemplo. A
Venezuela chavista é um dos maiores importadores da “mercadoria”, trocada por
barris de petróleo.
Matéria disponível em áudio: Clique aqui
Reportagem: Djan Moreno
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