Se a promessa feita pelo ex-presidente Lula
em 2010 tivesse sido cumprida, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) teria sido inaugurada no último dia 30 de julho. No entanto, a obra federal contratada há três anos e
orçada em R$ 4,3 bilhões não tem sequer um trilho instalado. A estrada de ferro,
coordenada pela estatal Valec, tem o objetivo de transformar a Bahia no novo
corredor ferroviário de exportação do Brasil. Na avaliação do deputado
Antonio Imbassahy (PSDB/BA), a situação é mais um exemplo da incompetência do PT.
A falta de planejamento do governo, que se baseou em estudos ambientais
capengas e projetos de engenharia que não paravam de pé, transformou a ferrovia
em estudo de caso do Tribunal de Contas da União (TCU). Desde 2011, uma medida
cautelar do órgão de fiscalização impede o avanço das obras ao longo de todo o
trecho oeste da ferrovia, de acordo com informações do jornal “Valor Ecônomico”.
Desde que chegou ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff não
conseguiu inaugurar nenhum trecho de ferrovia. Para Imbassahy, a população paga
um preço altíssimo pelas obras que não saem do papel. “Os anos se passam e as
obras não acontecem. É um custo adicional, um prejuízo enorme que a população
brasileira está pagando. Esse é um governo que só faz prometer e pouco realiza”,
reprovou.
A nova promessa do governo é entregar o traçado inicial, entre Barreiras e
Caetité, até o fim de 2015. A segunda etapa, que chega até Ilhéus, ficaria
pronta em dezembro do ano que vem. Entretanto, conforme destaca a reportagem do
“Valor”, para os engenheiros que estão à frente das obras, e até mesmo para o
governo baiano, o novo cronograma é apenas um instrumento de pressão para que as
empreiteiras avancem. "Sabemos das dificuldades. A promessa de entregar o trecho
de Ilhéus até o fim de 2014 está muito apertada. Do jeito que a obra está, só
sai mesmo em meados de 2015", alerta Eracy Lafuente, coordenador de
acompanhamento de políticas de infraestrutura do governo da Bahia.
Chegada dos trilhos continua sem previsão
→ Para a Valec, a situação da Fiol não é de urgência. O novo edital
para compra dos lingotes de aço da ferrovia ainda não foi publicado pela
estatal. Há dois anos, a estatal tenta comprar os trilhos para tocar seus dois
empreendimentos – Fiol e Ferrovia Norte-Sul -, mas esbarra em constantes ações
judiciais movidas por empresas e determinações impostas pelo Tribunal de Contas
da União (TCU). Em julho, a Valec conseguiu uma nova versão de edital para
compra das barras de aço que serão aplicadas na Norte-Sul. O pregão está marcado
para setembro. No caso da Fiol, porém, a chegada efetiva dos trilhos ainda é uma
incógnita, aponta o jornal “Valor Econômico”.
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Reportagem: Alessandra Galvão

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