O Supremo Tribunal Federal
(STF) oferece à Câmara dos Deputados a oportunidade de corrigir um erro e
declarar a cassação do deputado Natan Donadon (sem partido-RO), declarou o líder
do PSDB, Carlos Sampaio (SP), em entrevista coletiva nesta
tarde. O ministro Luís Roberto Barroso acatou o mandado de segurança apresentado
pelo tucano na última quinta-feira e suspendeu a sessão que manteve o cargo de
Donadon, preso na penitenciária da Papuda (Brasília) por peculato e formação de
quadrilha.
“O resultado decorrente da excrescência do voto secreto fez com que um
criminoso pudesse continuar como um de nossos pares. A decisão do STF corrige
esse erro”, disse Sampaio. Ele anunciou que conversará ainda hoje com o
presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves, para que ele declare a perda de
mandato imediatamente. “É uma medida que vai ao encontro do que espera a
sociedade e restabelece um mínimo de credibilidade à Câmara”, completou.
O líder tucano acredita que a liminar, resultado da ação impetrada pela
Liderança com apoio da Presidência nacional do partido, será mantida pelos
outros ministros do Supremo. A explicação é lógica: Donadon tem mais um ano e
seis meses de mandato, mas sua pena passa dos 13 anos. “Essa incoerência baseada
no voto secreto foi corrigida pela liminar e eu não tenho a menor dúvida de que
ela será mantida pelo STF”, completou.
Sampaio elogiou o presidente da Casa por ter o pulso firme de chamar o
suplente de Donadon na mesma noite da votação e assegurar que nenhum direito
será mantido. No entanto, Sampaio avalia que Alves errou ao negar os apelos de
tucanos pela mera declaração da perda do mandato. “A Câmara não perdeu seu
direito de falar, continua tendo a legitimidade de declarar a perda. Mas isso é
diferente de submeter a voto uma decisão condenatória da Suprema Corte”,
explicou o deputado.
Questionado sobre uma possível interferência do Judiciário no Legislativo, o
líder explicou que o STF precisa decidir sempre que existe dúvida na
interpretação de uma norma. “O ministro agiu bem ao conceder a liminar. Não vejo
interferência alguma. Quando você recorre à Corte, espera que ela se manifeste”,
observou.
Sem a determinação do ministro, os deputados estaria curvados e inertes
diante de uma decisão tomada por conta do voto secreto, comentou Sampaio.
“Ficaria ruim para a Câmara a manutenção de uma medida esdrúxula como essa.
Agora a Casa tem condições de rever se erro, corrigi-lo e decretar imediatamente
a cassação”, finalizou.
Quando o caso estava na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado
Jutahy Junior (BA) apresentou voto em separado para que a Mesa
Diretora da Casa declarasse a cassação, sem necessidade de levar o caso ao
plenário. Ele tentava evitar o risco da absolvição por conta do voto secreto. O
parecer, no entanto, foi rejeitado na comissão. "A Câmara errou de forma
vergonhosa mantendo o mandato de quem está condenado em regime fechado e não
tem a menor possibilidade de exercer a sua função. Foi uma sessão vergonhosa que
felizmente agora o Supremo suspende", disse. A luta, na opinião do tucano, é
pelo voto aberto. "Ficou evidenciado que alguns deputados dizem uma coisa
publicamente e fazem o contrário secretamente. Não podemos permitis essa
hipocrisia", completou.
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