Audiência Pública aborda o litígio e esclarece dúvidas da
população
Uma noite marcada pela união de uma população em defesa de
seu território. Assim transcorreu a Audiência Pública realizada na sexta-feira,
24, na Câmara de Macuco. Com o objetivo de abordar o tema de forma abrangente,
numa linguagem acessível e esclarecedora, autoridades públicas e moradores
interagiram sobre as questões litigiosas dos limites territoriais do município,
que atualmente estão sendo analisadas pelos ministros do Supremo Tribunal
Federal (STF).
Com farta
documentação captada por estudiosos do assunto, juntadas às mais diversas
informações colhidas por moradores, líderes políticos e por integrantes do
movimento denominado Macuco Original, a sessão conseguiu sensibilizar até os
mais céticos quanto à possibilidade de o município obter ganho de causa,
especialmente porque uma coisa ficou bem clara: conforme os registros
geográficos e documentais, a região que provocou o litígio é indiscutivelmente
pertencente a Macuco.
Com a população atendendo ao chamado para a audiência, o
plenário da Câmara ficou repleto de munícipes oriundos de diversos bairros e
variadas classes sociais, demonstrando que todos acreditam que a justiça irá
prevalecer. Com a adesão em massa, os organizadores tiveram de viabilizar um
telão, instalado na entrada do prédio para que os demais espectadores
acompanhassem as explanações, a maioria delas com base em documentos oficiais,
como a Deliberação de 10 de Setembro de 1890, na qual o então governador
Francisco Portella cria o Distrito de Macuco, cujo documento é considerado a
Certidão de Nascimento do município.
Na abordagem feita durante a audiência, fica claro que a
divisa de Macuco que deveria prevalecer seria aquela da demarcação territorial
feita em 1890 e ratificada pelo governador Portella. Outras vieram
posteriormente contendo erros cartográficos inaceitáveis, como a do Decreto de
Lei 1.055, de 1943, que cria o município de Cordeiro. Nesse decreto, um grave
erro cartográfico chama a atenção, já que no Artigo 6º o Córrego Val de Palmas
(Bom Vale) constava como afluente do Rio Macuco, quando na verdade é afluente
do Rio Negro. Uma foto de satélite, inclusive, comprovou o crasso erro
cartográfico desse artigo, evidenciando a invasão do núcleo urbano de Macuco e
suas consequências.
Com auxílio de números levantados pela administração, o
prefeito Félix Lengruber e o vice-prefeito Marcelo Mansur explicaram as perdas
sem precedentes para a cidade e população caso fossem aceitos esses limites
territoriais absurdos que chegam a cortar uma escola municipal ao meio. Macuco
perderia cifras expressivas por conta da diminuição do número de habitantes e
do território, haja vista que os repasses são calculados com base nesses dados.
“Teríamos um caos quanto à situação de nossa estrutura pública. Perderíamos
escola, nosso hospital que está em construção, pronto-atendimento médico,
quadra esportiva, centro de atendimento à terceira idade e o que mais preocupa,
que são nossa história e identidade. Por isso, é de suma importância essa
demonstração de união e força aqui evidenciadas. Nossa terra e nosso povo
merecem respeito e tenho certeza de que a justiça será restabelecida”, disse
Félix Lengruber ao encerrar a audiência.


Nenhum comentário:
Postar um comentário