Em seu novo artigo, o advogado João Tancredo aborda sobre o
alto número de acidentes de trânsito no Brasil, principalmente entre os jovens,
como foi o caso do cantor Cristiano Araújo. O Advogado, especializado em Responsabilidade Civil, aponta que o Brasil é o
segundo país no ranking de acidentes de transporte terrestre no Mercosul e esse
panorama precisa mudar. Confira!
Embora seja recorrente a discussão sobre o trânsito no
Brasil, pouco se evolui em soluções para amenizar o crescente número de mortes,
com o agravante de, cada vez mais, serem os jovens as maiores vítimas dos
acidentes. Estradas em más condições, sinalizações precárias, falta de
fiscalização e investimentos são alguns pontos dos quais o poder público deixa
a desejar, embora as cifras arrecadadas com impostos e multas nas estradas e no
perímetro urbano sejam significativas.
A morte do cantor Cristiano Araújo, há menos de um mês, chocou o país pela
perda precoce de um jovem talentoso. Mas, é ainda mais estarrecedor sabermos
que a segunda causa de morte entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil é acidente
de trânsito, ficando atrás apenas dos homicídios.
Há seis anos, ocupávamos o quarto lugar no ranking de acidentes de transporte terrestre no Mercosul. Hoje estamos em segundo. A taxa de mortalidade, que era de 18,3 mortes por 100 mil habitantes, subiu para 22,5.
Há seis anos, ocupávamos o quarto lugar no ranking de acidentes de transporte terrestre no Mercosul. Hoje estamos em segundo. A taxa de mortalidade, que era de 18,3 mortes por 100 mil habitantes, subiu para 22,5.
Em verdade, os acidentes de trânsito são a principal causa
de morte de jovens no mundo. E, quando não matam, deixam sequelas que exigem
grande período de reabilitação, dependendo da gravidade, a vida toda. E nesse
aspecto também é expressiva a presença do público jovem. Na Rede Sarah, por
exemplo, 38% das vítimas de acidentes de trânsito em tratamento estão entre 20
e 29 anos.
Esses dados comprovam a ineficiência das autoridades, pois
as campanhas educativas não só devem ser permanentes como precisam ser
direcionadas cada vez mais cedo, quem sabe, pegando os jovens ainda nas salas
de aula. A prevenção pode fazer parte da formação do cidadão que, aos 18 anos,
já se habilita a dirigir.
Além de motoristas mais educados e redução de mortes,
iniciativas preventivas podem significar economia, pois ao olharmos o panorama
do Sistema Único de Saúde (SUS) percebemos o reflexo do problema. Em 2013,
foram mais de 170 mil internações por acidentes de trânsito, mais de 50%
envolvendo motociclistas, o que significou mais de R$ 230 milhões gastos com as
vítimas.
Enfim, a inteligência no planejamento trará um futuro mais
otimista para o trânsito brasileiro. Investimento na malha rodoviária, em
equipamentos de proteção e na formação de motoristas não são custos. Pelo
contrário, representam não só gestão responsável como o cumprimento constitucional,
garantindo o direito de ir e vir do cidadão com segurança. Um respeito à vida
no qual todos somos responsáveis e merecedores.

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