O cruzamento de dois estudos da Firjan – o Diagnóstico do
Estado do Rio e a Pesquisa Orçamento Firjan-Ibope junto à população fluminense
– revela a existência de dois mundos paralelos: aquele demandado pelos
habitantes e a realidade da alocação dos recursos. Os documentos foram
divulgados em coletiva na sede da Federação.
A pesquisa, encomendada pela Firjan ao Ibope Inteligência,
teve por objetivo identificar as prioridades da sociedade em relação ao
orçamento do governo estadual. Segundo o levantamento, elas são nesta ordem:
Saúde, Educação, Segurança Pública, Geração de Emprego e Renda, Saneamento e
Transportes. O Diagnóstico do Estado do Rio, porém, mostrou que juntas, em
2017, essas áreas receberam apenas 36,7% do orçamento. Enquanto isso, a maior
parte das verbas estaduais foi destinada ao custeio da Previdência e da máquina
pública: 37,4% e 24,95%, respectivamente.
“Fica claro que existe um descasamento brutal entre as
prioridades de alocação de recursos do estado em relação às necessidades da
população”, afirmou o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira.
O levantamento com a população fluminense foi feito no mês
de junho. Houve 1.204 entrevistas presenciais e domiciliares, com pessoas de
idade superior a 18 anos, em 37 municípios. Em paralelo, a Firjan elaborou o
diagnóstico sobre os gastos públicos, a fim de comparar os resultados.
“Num
ambiente em que a crise fiscal impõe dificuldades para a gestão do orçamento, a
priorização alinhada com os anseios da sociedade precisa ser o objetivo do novo
governo”, aponta Jonathas Goulart, coordenador de Estudos Econômicos da
Federação.
Pauta para os candidatos e a sociedade
O diagnóstico mostra que a Previdência Social está voltada
para atender apenas 1% da sociedade fluminense. “Esse gasto impacta brutalmente
o restante da população. Hoje, 35% dos jovens do estado, de 18 a 24 anos, estão
desempregados. É preciso dar emprego, educação de qualidade a esses jovens; dar
dignidade às famílias que precisam de saúde, de saneamento básico. Não resolver
o problema da Previdência é socialmente injusto e imoral”, cobrou o presidente
da Firjan.
Os estudos apontam ainda que nove entre 10 entrevistados
destinariam a maior parcela do orçamento do estado à Saúde Pública, porém o
setor recebeu apenas 9,2% das verbas, em 2017. Para metade das pessoas ouvidas,
o governo deveria deixar de gastar com a máquina pública. Mas a realidade é bem
diferente. O estado descumpriu o mínimo estabelecido na Constituição para a
área de Saúde e ultrapassou os limites legais para endividamento e despesas com
pessoal.
Outro dado em destaque é que o Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), por exemplo, ficou abaixo da meta estabelecida para
2017 e retrocedeu a níveis próximos ao de 2011. Além disso, outras despesas
encolheram de tamanho, como o Bilhete Único, que de 2014 a 2017 sofreu um corte
de 38%; e os investimentos na UERJ, que reduziu em 46%.
Segundo Eduardo Eugenio, os estudos da Federação têm entre
seus objetivos pautar a discussão do problema no momento em que se aproxima o
segundo turno das eleições para o governo do Rio de Janeiro. “A luz vermelha
foi acesa. A sociedade precisa entender o que é preciso ser levado em
consideração. E os candidatos precisam focar nisso e explicar como utilizarão
os recursos”, afirmou.
A Pesquisa Firjan-Ibope e o Diagnóstico do Estado do Rio
completos podem ser acessados AQUI
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