Em julho de 2017, Moro - que à
época era o titular da 13ª Vara Federal no Paraná - condenou o ex-presidente a
9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de
dinheiro.
O julgamento do HC está marcado para o dia 25 de junho e,
entre os fundamentos para o pedido estão as recentes publicações pelo Portal
The Interpect Brasil com detalhes acerca da conjuntura do julgamento do
processo (5021365-32.2017.4.04.7000/PR) em primeira instância. O pedido da
defesa é contra decisão da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
que, em abril de 2019, manteve a condenação do petista ao julgar recurso da
defesa. A manifestação foi enviada ao relator do HC no STF, o ministro Edson
Fachin.
Na petição, Raquel Dodge afirma que a alegação de suspeição
se ampara em fatos sobre os quais há dúvidas jurídicas. “É que o material
publicado pelo site The Intercept Brasil, a que se refere a petição feita pela
defesa do paciente, ainda não foi apresentado às autoridades públicas para que
sua integridade seja aferida. Diante disso, a sua autenticidade não foi
analisada e muito menos confirmada”, destaca em um dos trechos do documento.
Também menciona o fato de não ter sido aferido se as mensagens foram
corrompidas, adulteradas ou se procedem em sua inteireza, de comunicações entre
os interlocutores. Segundo ela, estas circunstâncias caracterizam, neste
momento, um elevado grau de incerteza o que impede que as mensagens sejam
usadas como evidência para corroborar a alegação de suspeição do então
ministro.
Outro aspecto destacado na manifestação diz respeito à forma
como foram obtidas as mensagens que têm sido divulgadas pelo site The
Intercept. A procuradora-geral revela preocupação com a informação de que as
supostas mensagens tenham sido obtidas de maneira criminosa, o que fere a
garantia constitucional à privacidade das comunicações por caracterizar “grave
atentado às autoridades constituídas brasileiras”.
Ao lembrar que autoridades
públicas, como procuradores da República, juízes e até integrantes do Conselho
Nacional do Ministério Público (CNMP), foram vítimas da ação criminosa, Dodge
frisa ter requisitado inquérito policial para investigar o fato e adotado
providências administrativas no âmbito do MPF sobre o tema. “Trata-se de grave
e criminoso atentado contra o Estado e suas instituições que está sob a devida
apuração pelos órgãos competentes”, complementou.
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