quarta-feira, 12 de junho de 2019

Tânia Trilha comenta sobre o episódio que lhe custou o cargo e diz que irá tomar medidas contra quem vazou o seu áudio

Após a divulgação do áudio onde pedia a um médico, no caso o ex-diretor do Hospital Raul Sertã, que operasse um paciente ou o deixasse morrer, porque ela tinha uma decisão judicial a cumprir, Tânia Trilha pediu exoneração do cargo de Secretária de Saúde nesta terça, 11, e no início da noite, por meio de rede social , comentou o contexto do episódio que lhe custou o cargo. Disse a agora ex Secretária:

Resposta ao áudio.

Em 23/01/2019, recebemos um mandado judicial para internação de um paciente no CTI. Como de costume, falamos no grupo restrito da Direção do hospital Raul Sertã, em que participavam eu, o Diretor Médico na ocasião, Arthur Mattar, a Diretora Geral e a Subsecretária de Atenção Hospitalar, vez que sempre conversávamos de forma privada em tal grupo, sobre o direcionamento das condutas a serem realizadas. Ressalvando que as condutas médicas não eram de minha competência, pois o médico dirigente, era o Dr. Artur, que no caso do referido paciente, ele mesmo já havia nos informado da situação de risco de morte e que só teria vaga no CTI do nosso hospital se alguém morresse, ou seja, se tivesse “alta celestial”, palavras frequentes do Dr. Arthur.

O paciente, segundo o Diretor Médico, tinha a saúde completamente debilitada, necessitando fazer uma cirurgia e o mandado determinava a internação dele no CTI. Nosso hospital não tinha leito de CTI vago. Autorizei de pronto a internação dele em um hospital privado da municipalidade, arcando a administração pública com o custo e demais despesas necessárias à acomodação do paciente no CTI, prática reiterada, por vezes, pois nossa gestão prima sempre pela vida. Prática essa que aprendi em casa com a minha família e a pratico no dia a dia por aqueles que comigo convivem, sendo fácil comprovar.

Após horas e horas de discussão, que se prolongou até o dia 24/01, a respeito da situação do paciente, se primeiro seria feita a cirurgia e depois a sua remoção para o CTI, ou vice versa, aguardando posicionamento do Diretor Médico quanto ao contato com os profissionais que realizariam a cirurgia e quanto a decisão se o paciente estava estável o suficiente para suportar o procedimento, eu disse com ênfase às frases veiculadas no áudio de forma isolada, buscando não a morte do paciente, mas a resolutividade da circunstância.


A ex Secretária finalizou o seu texto informando que irá tomar as medidas cabíveis para quem vazou a conversa, que foi divulgada em grupo fechado.


Entendo que a conduta de divulgar um áudio de um grupo privado de Direção descontextualizada é um ato criminoso e no mínimo antiético que não merece crédito, pois se vale de um momento político e de julgamento daqueles que desconhecem a minha postura integra, profissional e acima de tudo humana. Sendo certo que as medidas judiciais cabíveis serão tomadas.
Tânia Trilha.

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