O Sistema FIRJAN se manifesta de forma veemente contra a
apropriação pelo governo de um terço das contribuições do setor privado ao
Sistema S, proposto dentro do pacote econômico anunciado no último dia 14.
No Estado do Rio de Janeiro, essa medida, somada às alterações na Lei do Bem,
também incluídas no pacote, inviabilizaria o atendimento a 200 mil alunos do
SESI e SENAI, afetando a vida, se incluídas as famílias, de 1 milhão de
pessoas. Mais: significaria interromper o futuro de jovens que, na maioria, têm
nesses cursos e oficinas sua única – e melhor – chance de acesso a uma
qualificação fundamental para, num cenário de crise, manter seus empregos ou
buscar novas oportunidades no mercado.
Para o SESI Rio, a redução no orçamento implicaria em
suspender 320 mil exames e consultas médicas e odontológicas, a baixo custo e
de alta qualidade, além da redução na oferta de cursos profissionalizantes nas
40 comunidades pacificadas nas quais o programa SESI Cidadania atua. A
iniciativa já beneficiou, só em projetos educacionais, cerca de 32 mil
moradores de áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
No Rio de Janeiro, o SESI e o SENAI possuem 160 unidades
fixas e móveis, e se fazem presentes em cerca de 450 pontos de atendimento em
todo o estado. Só em 2014, o SESI fez mais de 2,2 milhões de atendimentos nas
áreas de Saúde, Esporte e Lazer, e Cultura.
Mais de 2,3 mil indústrias utilizam o SENAI para a
qualificação e profissionalização de seus trabalhadores, e, em 2015, apesar da
recessão, o índice de alunos empregados após os cursos é de 60%. Quatro
modernos Centros de Tecnologia (Solda, Automação e Simulação, Alimentos e
Bebidas, e Ambiental), equipados com simuladores de última geração, formam
profissionais preparados para implantar e atuar em práticas, processos e
ambientes inovadores. Nos últimos cinco anos, 5.332 empresas receberam
assessoria em inovação via SENAI, e R$ 22 milhões foram captados em editais da
área. O SENAI Rio foi o primeiro no Brasil a ter o Fab Lab, um laboratório de
inovação e criatividade desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT).
Os resultados mostram que esse é um sistema que dá certo.
Pesquisas recentes feitas pelo Sistema FIRJAN apontam que 92% dos empresários
de indústrias do Rio de Janeiro têm uma imagem positiva do SESI, e 95%, do
SENAI. A imagem positiva junto aos trabalhadores da indústria é ainda mais
alta: 97% em relação ao SENAI e 96%, ao SESI.
O orçamento do Sistema S é gerado pelas contribuições do
próprio setor privado, revertidas exclusivamente para o trabalhador e a
comunidade em geral, não derivando de recursos governamentais. A modificação na
Lei do Bem, transferindo para o Sistema S os recursos do benefício fiscal dado
às empresas que investirem em pesquisa e tecnologia, eleva para 50% as perdas
no orçamento. No Rio de Janeiro, esse número pode ser ainda mais dramático,
pela presença de empresas com forte investimento em inovação, como, por
exemplo, a Petrobras.
Há que se ressaltar a inconstitucionalidade da Medida
Provisória prevista pelo governo. As contribuições recolhidas da folha de
pagamento das indústrias para SESI e SENAI estão garantidas pelo artigo 240 da
Constituição Federal, que veda o desvio desses recursos para financiar a
Previdência Social. Essa contribuição, como reza o artigo 6º. da Constituição,
é essencial à realização dos direitos sociais do trabalhador. Os argumentos são
suficientes para se contestar judicialmente a MP.

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