Em seu novo artigo, o advogado criminalista Marcos Espínola trata sobre o alto número de
policiais e profissionais de segurança que estão perdendo suas vidas ou sendo
mutilados, devido ao intenso confronto com facções fortemente armadas. O
advogado alerta que apesar de não receberem atenção da mídia, diversas famílias
ficam desfalcadas ou vivendo de uma maneira inapropriada para alguém que cuida
de nossa segurança, além de pedir para que as autoridades do Rio, olhem
principalmente para esses profissionais.
Toda guerra deixa como legado marcas para a vida inteira. Os
confrontos armados envolvem, é claro, seres humanos e as sequelas são de ordem
emocional, psicológica e física. Foi assim com os mais de 500 mil mutilados no
Vietnã. Foi assim mais recentemente no Iraque e em tantas outras. No Brasil,
além dos bravos pracinhas que sobreviveram às guerras, há outros que não
lutaram contra nações, mas enfrentaram um inimigo tão ou mais cruel que um
soldado adversário num campo de batalha. São os policiais que, na linha de
frente do combate ao crime, foram mutilados, se tornando inválidos por conta de
uma guerra sem fim.
Como sabemos, o poderio do tráfico tomou proporções
incalculáveis, com armamentos só utilizados até então pelas forças armadas.
Diante da função de combater a violência urbana são os policiais os alvos mais
fáceis e algumas centenas deles tiveram sua vida mudada para sempre por conta
disso. Lamentavelmente, os holofotes da sociedade acabam por não focar nesses
casos. Histórias de famílias inteiras que convivem com o amargo sabor da
dificuldade e do descaso.
E essa realidade não é só dos policiais. Bombeiros que no
exercício de sua profissão sofreram acidentes graves, também passam pela mesma
situação. Um abandono social de muitos heróis anônimos que diante da tragédia,
além de não terem o seu mérito reconhecido, sofrem com as dificuldades que vão
desde a falta de recursos para sustentar a família, comprar remédios e se manter
até a moradia digna.
Há pouco mais de um ano, o governo do Estado sancionou a Lei
6764 prevendo que o policial, civil ou militar, o bombeiro militar e o inspetor
de segurança e administração penitenciária que for declarado impossibilitado
total e permanentemente para qualquer atividade, não podendo prover os meios de
sua subsistência, fará jus a auxílio-invalidez, a ser pago, mensalmente, no
valor de R$ 3 mil. Isso significa muito para inúmeras famílias que gastam, em
média, quase 50% desse valor com medicamentos.

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