O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), criticou
duramente na quarta-feira (16) a tentativa do governo Dilma de recriar a
CPMF. Junto com outros tucanos, o líder participou do lançamento do movimento
“Basta de Impostos”, uma ação suprapartidária liderada pelos partidos de
oposição com o apoio até mesmo de deputados governistas. O objetivo é
demonstrar o descontentamento e o sentimento de reprovação da sociedade às
medidas anunciadas pelo governo Dilma para cobrir o rombo no Orçamento da
União.
O líder tucano ressaltou que não existem os requisitos
básicos para propor ao país um aumento de impostos e por essa razão a sociedade
não o aceitará. O movimento da Oposição, de acordo com ele, vai refletir esse
sentimento no Congresso.
De acordo com Sampaio, falta credibilidade ao governo para
propor a volta da CPMF. “A sociedade tem que ter clareza de que o governo fez
sua parte. E a clareza que temos hoje é exatamente o contrário: o governo não
reduziu ministérios, não cortou gastos, nem cargos comissionados e quer impor
isso goela abaixo da população brasileira”, avaliou, lembrando que Dilma não
conta sequer com uma base de sustentação sólida no Parlamento.
A ideia de voltar a cobrar uma contribuição sobre as
operações financeiras com alíquota de 0,2% faz parte do pacote de medidas
anunciadas pelo governo para tentar reverter a situação das contas públicas
deterioradas pela ação do próprio governo do PT. A equipe econômica disse que
fará corte de R$ 26 bilhões no Orçamento do próximo ano. Segundo o Planalto, a
redução das despesas somada ao conjunto de medidas para aumentar receitas
resultará em R$ 64,9 bilhões. Entre elas, a cobrança da nova CPMF, que precisa
ser votada e aprovada pelo Congresso Nacional.
Diversos deputados do PSDB participaram do ato contra a
ideia de aumentar a carga tributária. Vitor Lippi (SP) destacou que a proposta
é inaceitável. “Não é criando imposto para tapar o rombo das contas públicas
que vamos resolver os problemas”, disse. “A população está empobrecida, estamos
vendo um aumento grande de desempregados e as empresas estão fechando. Criar
mais impostos só vai agravar a situação, quando sabemos que a causa desse
gravíssimo problema é o desgoverno do PT”, alertou.
Eduardo Cury (SP) afirmou que os partidos de oposição estão
fechando questão contra a CPMF para defender o bolso do cidadão. Segundo ele,
não é justo que tirem do trabalhador ainda mais dinheiro para pagar uma conta
que não é dele. “Estão querendo criar novo imposto para cobrir seu rombo de
corrupção e gastos desnecessários e ineficiência”, afirmou.
Já Vanderlei Macris (SP) alertou que a proposta não vai
encontrar respaldo no Congresso e, caso seja realmente apresentada, será
rejeitada. “Vamos derrotar essa proposta do governo Dilma. A CPMF é um imposto
que vai pegar pesado com a população e nós não aceitamos mais esse aumento da
carga tributária. Vamos votar não a ela e quaisquer novos impostos no Brasil”,
disse.
Também presente, o secretário-geral do PSDB, Silvio Torres
(SP), disse que o pacote lançado pelo governo Dilma na última segunda-feira tem
criado problemas para o povo e para a economia do país. “Por isso que nos
fazemos mais um movimento para dizer não à CPMF. Sabemos que os governadores
estão passando por dificuldade, mas se eles aprovarem a proposta, vão impor
mais um sacrifício à população dos seus estados. A única saída para esse país é
um novo governo”, defendeu.
Participaram do lançamento do movimento parlamentares do
DEM, PSDB, PP, Solidariedade, PSC, PPS e PMDB.
Reportagem: Djan Moreno

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