No discurso que fez em plenário na última semana,
o Líder da Oposição, senador Alvaro Dias, criticou o que chamou de acordo de
procedimentos entre o governo, a presidência da República e a presidência da
Câmara dos Deputados. “
Parece-me existir um acordo de procedimentos. E, nesse
acordo, a estratégia é ganhar tempo, de um lado e do outro, em razão das denúncias
contra o presidente da Câmara e as que atingem a presidência da República e
podem culminar com a instauração de um processo de impeachment. Fica claro que
há um acordo de proteção mútua, com medidas protelatórias, com a estratégia de
tornar o assunto cansativo. Essa morosidade trabalha contra a eficiência, e só
atende ao interesse dos que são alcançados pelas irregularidades denunciadas,
mas não atende ao interesse desse país, que é sair da crise, que é caminhar
para o desenvolvimento econômico, a cada dia mais distante, para nossa
infelicidade e infortúnio dos brasileiros”, disse.
Segundo Alvaro Dias, o fato está posto, e a sociedade quer
mudanças, diante de várias denúncias, principalmente o escândalo revelado pela
Operação Lava-Jato: “
O impeachment é um pleito popular hoje. De outro lado,
existem razões de natureza jurídica que consubstanciariam esse pedido de
impeachment com justificativas também irretocáveis. Mas o que ocorre é a
indefinição. Creio que seria mais adequado para o País a definição desse
impasse, a superação desse impasse. E a superação desse impasse só se daria
celeremente se houvesse o acolhimento por parte da presidência da Câmara dos
Deputados de um dos pedidos de impeachment, e a Câmara, através de dois terços,
definisse o impeachment ou o recusasse. O pior dos mundos é a indefinição.
Mesmo aqueles que não advogam o impeachment certamente gostariam de ver esse
impasse superado. Teremos o impeachment ou não teremos o impeachment? Só
deliberando a respeito. Portanto, causa-me surpresa o comportamento do
Presidente da Câmara, protelando decisões. Mantém sobre a mesa pedidos de
impeachment sem decidir sobre o destino deles. E isso provoca uma indefinição
que paralisa o país”, finalizou o senador.
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