Em seu novo artigo, o advogado João Tancredo, especializado em Responsabilidade Civil, abroda sobre a falta de
acessibilidade às pessoas com algum tipo de deficiência na Cidade do Rio de
Janeiro, que em menos de um ano vai sediar as paralimpíadas. O advogado alerta
que no Brasil, um quarto da população brasileira apresenta alguma deficiência e
mesmo com a existência de leis que prezam pela qualidade de vida dessa parte da
população, de nada adianta, pois não são cumpridas
No Brasil, um quarto da população apresenta algum tipo de
deficiência, segundo o IBGE. E ao mesmo tempo em que o Rio de Janeiro ostenta o
título de Cidade Maravilhosa, tendo alto potencial turístico, incluindo o
corporativo e sediando megas eventos, não está preparada para acolher pessoas
com deficiência para mobilidade, uma infraestrutura básica para uma metrópole
com projeção internacional. Aliás, há um projeto que visa enquadrar o Rio no
conceito de Cidade Inteligente, muito embora estejamos distantes de tal
inteligência, demonstrando que não somos somente o Rio de belezas mil, mas o de
muitas contradições também.
A pouco mais de um ano de sediarmos uma Paralimpíada, temos
o desafio de tornar a cidade acessível para os mais de quatro mil paraatletas,
de mais de 170 países. Um desatino impossível de acontecer, pois, notoriamente,
a prioridade dos organizadores são as construções de grandes ginásios que pós
Jogos, provavelmente ficarão subtuilizados.
Em nenhum momento se priorizou algo relevante para o público
com deficiência. Não há quartos adaptados em hotéis três estrelas, que são os
mais em conta. Estamos desprovidos de meios para mobilidade urbana de um modo
geral, seja na calçada, numa travessia de rua, no ingresso ao transporte
coletivo, acessibilidade aos pontos turísticos, praias etc. Até a abertura dos
Jogos paraolímpicos está ameaçada, tendo em vista as dificuldades de acesso ao
Maracanã, palco das cerimônias.
No caso da deficiência visual e auditiva, por exemplo, são
quase nulas as adaptações tanto para a mobilidade quanto nas instalações. Mesmo
estando em vigor no país a lei de inclusão da pessoa com deficiência, na qual
prevê 10% da capacidade hoteleira para esse público, essa não é a realidade da
Cidade. O mesmo acontece com os restaurantes, onde poucos contam com algum tipo
de adaptação dessa ordem. É uma cidade partida.
Vale ressaltar que a Cidade não se limita a bela orla de
Copacabana e Zona Sul. Os cariocas com dificuldades de locomoção também estão
no subúrbio e na Baixada, aonde a mobilidade urbana para pessoas com
deficiência é inexistente. Os eventos passam, mas o sofrimento desse público
permanecerá.

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