Em seu novo artigo, o advogado criminalista, Marcos Espínola, aborda sobre o alto número de presos no
Brasil, deixando o país como o quarto no mundo, no ranking de população
carcerária. Vale a penas conferir!
Sabemos que o sistema carcerário brasileiro está falido, com
superlotação e sem ressocialização. No entanto, chamamos a atenção para uma das
maiores contradições desse país, cuja imagem é de uma justiça lenta e ineficaz.
Ledo engano. Até 2014, o Brasil ocupava a quarta maior população carcerária do
mundo, segundo dados do Ministério da Justiça, o que significa que a justiça
está trabalhando, porém, a questão é de que forma isso tem acontecido.
Com mais de 600 mil presos, o país fica atrás apenas de
Rússia, China e EUA. Em 10 anos, o aumento foi de 80% e se considerarmos as
décadas entre 1990 e 2010, o Brasil teve o maior crescimento da população
carcerária do mundo, com alarmantes 450% de aumento. Quando o número de presos
é dividido pela população, a chamada taxa de encarceramento, o crescimento do
número de presos por grupo de 100 mil habitantes nesses 20 anos aumentou 61,8%.
Para se ter ideia, se continuarmos no mesmo ritmo, um em cada 10 brasileiros
estará atrás das grades em 2075.
Isso comprova que a justiça manda prender muito e o que se
questiona é essa posição arbitrária, tendo em vista o risco de ferir a
presunção da inocência. Nosso poder judiciário está sofrendo da síndrome da
violência presumida, o que leva ao excesso de prisões provisórias, além da
extensão errada desses encarceramentos, caracterizando constrangimento legal.
Afinal, muitos indivíduos são mantidos nas prisões sem que estejam
definitivamente condenados pelo trânsito em julgado do processo.
O que vem prevalecendo é a lógica do encarceramento, o que,
talvez, explique essa superlotação, o excesso de prazos e a oneração dos cofres
públicos para a manutenção do sistema prisional. Um alto custo para o que se
tornou um “depósito de seres humanos”, aglomerados e sem qualquer direcionamento
para uma recuperação que os permita a reinserção à sociedade.
Enfim, as projeções não só assustam pela quantidade, mas
também pela qualidade, pois há uma desigualdade escancarada entre os que estão
presos e os que delinguem no país. Dentre os encarcerados a esmagadora maioria
é do público pertencente às camadas discriminadas, como negros, pobres e com
baixo nível intelectual. Variáveis que sinaliza quão arbitrária tem sido a
justiça, o quanto o Brasil ainda é desigual e o caos que é o sistema penitenciário
brasileiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário