A comparação da postura dos representantes do alto escalão
da nação com o setor de educação pode ser considerada equivocada. Afinal, se
tratam de pessoas ‘estudadas’, algumas que não abrem mão do título de doutor.
No entanto, após 500 anos, o Brasil ainda vive uma contradição. É referência em
algumas áreas de estudo, mas também amarga índices pífios na educação pública
desde a base até a universidade. A falta de investimento do Poder Público no
setor e a carência de uma formação cívica e cidadã são, em primeiro lugar,
percebidas nas atitudes das autoridades que passam de geração para geração o
ranço da corrupção e do desrespeito à nação. Características divergentes a
qualquer conceito de uma boa educação.
Aliás, educação é muito mais que um simples ato de
cumprimentar ou ser gentil. Ela está na essência do respeito ao próximo e no
cuidado com o semelhante, seja idoso, deficiente, criança, mulher, negro,
orientação sexual, meio ambiente etc. Essa visão se aprende na base, em casa e
na educação fundamental, hoje de péssima qualidade, abandonada mesmo.
Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –
Ipea indicou que os gastos do Brasil em educação e saúde estão entre os menores
do mundo. Outra pesquisa, chamada Atitudes pela Educação, revelou em 2014 que
apenas 12% dos pais são comprometidos com o desempenho dos filhos na escola,
considerando escolas públicas e privadas. O estudo concluiu que a falha na
educação no Brasil não é apenas uma deficiência no sistema educacional, mas
também na base familiar.
Ano passado, o Ministério da Educação divulgou que menos de
um milhão de pessoas concluem o ensino superior no país. Isso significa menos
de 1% da população. Um baixíssimo percentual de universitários que ainda
convivem com situações absurdas, como a da Universidade Estadual do Rio de
Janeiro – UERJ, uma das mais tradicionais do país, que suspendeu as aulas por
insalubridade diante da falta dos serviços terceirizados, pois falta dinheiro.
João Tancredo é advogado especializado em Responsabilidade Civil

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