domingo, 13 de dezembro de 2015

Brasil é o retrato da falta de educação, por João Tancredo

A comparação da postura dos representantes do alto escalão da nação com o setor de educação pode ser considerada equivocada. Afinal, se tratam de pessoas ‘estudadas’, algumas que não abrem mão do título de doutor. No entanto, após 500 anos, o Brasil ainda vive uma contradição. É referência em algumas áreas de estudo, mas também amarga índices pífios na educação pública desde a base até a universidade. A falta de investimento do Poder Público no setor e a carência de uma formação cívica e cidadã são, em primeiro lugar, percebidas nas atitudes das autoridades que passam de geração para geração o ranço da corrupção e do desrespeito à nação. Características divergentes a qualquer conceito de uma boa educação.

Aliás, educação é muito mais que um simples ato de cumprimentar ou ser gentil. Ela está na essência do respeito ao próximo e no cuidado com o semelhante, seja idoso, deficiente, criança, mulher, negro, orientação sexual, meio ambiente etc. Essa visão se aprende na base, em casa e na educação fundamental, hoje de péssima qualidade, abandonada mesmo.

Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea indicou que os gastos do Brasil em educação e saúde estão entre os menores do mundo. Outra pesquisa, chamada Atitudes pela Educação, revelou em 2014 que apenas 12% dos pais são comprometidos com o desempenho dos filhos na escola, considerando escolas públicas e privadas. O estudo concluiu que a falha na educação no Brasil não é apenas uma deficiência no sistema educacional, mas também na base familiar.

Ano passado, o Ministério da Educação divulgou que menos de um milhão de pessoas concluem o ensino superior no país. Isso significa menos de 1% da população. Um baixíssimo percentual de universitários que ainda convivem com situações absurdas, como a da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, uma das mais tradicionais do país, que suspendeu as aulas por insalubridade diante da falta dos serviços terceirizados, pois falta dinheiro.

E isso é apenas uma gota num mar de lamas e constantes cortes de verba para educação que prejudicam o setor há décadas. Quando Monteiro Lobato afirmou que um país se faz com homens e livros, ressaltou a importância da educação, mas não foi ouvido. Assim, não fica difícil entender o porquê de estarmos vivendo tamanha crise moral e ética. O dever de casa não foi feito e a falta de educação continua vindo de cima para baixo.

João Tancredo é advogado especializado em Responsabilidade Civil

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