Nova Friburgo é segunda cidade fluminense com melhor posição
no Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal. São Sebastião do Alto é a
penúltima colocada
O Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2015,
divulgado no dia 7, revela que as regiões Serrana e
Centro-Norte têm três cidades entre as dez melhores do estado em
desenvolvimento socioeconômico.
Nova Friburgo é a segunda colocada no ranking em todo o Rio
de Janeiro e ficou entre os 500 IFDMs mais altos do Brasil. Petrópolis e
Teresópolis também estão entre os dez maiores resultados do estado, ocupando o
9º e o 10º lugar, respectivamente. Dos 14 municípios que compõem as duas
regiões, quase 70% (nove) avançaram no desenvolvimento. Já São Sebastião do
Alto teve a segunda pior nota (0,5869) de todo o estado, ficando à frente
apenas de Japeri (0,5442), na Baixada Fluminense.
Criado pelo Sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do
Estado do Rio de Janeiro) para acompanhar o desenvolvimento socioeconômico do
país, o IFDM avalia as condições de Educação, Saúde, Emprego e Renda de todos
os municípios brasileiros. Em sua nova edição - com base em dados oficiais de
2013, últimos disponíveis - o estudo traz comparações com outros anos da série
histórica, iniciada em 2005, e projeções sobre a evolução do desenvolvimento
por conta da deterioração do cenário econômico.
O índice varia de 0 (mínimo) a 1 ponto (máximo) para
classificar o nível de cada cidade em quatro categorias: desenvolvimento baixo
(de 0 a 0,4), regular (0,4001 a 0,6), moderado (de 0,6001 a 0,8) e alto (0,8001
a 1). Foram avaliados 5.517 municípios, que abrigam 99,8% da população. Ficaram
fora do índice cinco cidades criadas recentemente, que ainda não possuem dados
suficientes para análise, e 48 que não declararam ou possuem informações
inconsistentes.
Para alcançar a segunda colocação no Estado e a primeira na
região, Nova Friburgo obteve 0,8314 ponto, nota melhor que a da capital Rio de
Janeiro (0,8281). O melhor município fluminense foi Resende com nota 0,8441
ponto.
Entre as cidades das regiões Serrana e Centro-Norte, o
segundo lugar ficou com Petrópolis (0,7904), seguido de Teresópolis (0,7876),
Macuco (0,7260), Bom Jardim (0,7242), Carmo (0,7226) e Cordeiro (0,7222).
Duas Barras, Sumidouro e Macuco registraram avanços
expressivos no período, justificados pela melhora no índice de
Emprego&Renda. Já, Teresópolis, Macuco, Cordeiro e Duas Barras apresentaram
avanços nas três vertentes do índice.
O maior destaque da região foi no IFDM Educação: quase dois
terços das cidades (64,3%) apresentaram alto desenvolvimento. Nesse indicador,
Nova Friburgo e Carmo ficaram entre os 10 melhores de todo o estado, ocupando a
sexta e sétima posições. Cordeiro, Macuco, Cantagalo, São Sebastião do Alto,
Trajano de Morais, Duas Barras e Teresópolis também evoluíram
significativamente e alcançaram nota superior a 0,8100.
Já em Saúde, cinco dos dez piores resultados do Rio de
Janeiro estão aqui – Duas Barras, Cantagalo, Trajano de Morais, Santa Maria
Madalena e São Sebastião do Alto. Apesar da avaliação ruim, Santa Maria
Madalena avançou 11,2% no IFDM Saúde.
Já Petrópolis, Nova Friburgo, Bom Jardim, Cachoeiras de
Macacu e Teresópolis atingiram alto desenvolvimento nesse indicador.
Em relação ao quesito Emprego&Renda, nenhum dos quatorze
municípios foi classificado como alto desenvolvimento. Nova Friburgo (0,7831),
Teresópolis (0,7333) e Petrópolis (0,7303) obtiveram desenvolvimento moderado.
Crise econômica ameaça conquistas sociais no país
O IFDM indica que o desenvolvimento socioeconômico do país
está comprometido por conta do cenário econômico. Nesta nova edição, o índice
aponta que, já em 2013, a nota brasileira, composta pelos indicadores de
Educação, Saúde, Emprego e Renda, ficou em 0,7441 ponto, com aumento de apenas
0,2% na comparação com o ano anterior. Foi o menor avanço desde o início da
série histórica do índice, em 2005, refletindo principalmente o desempenho
negativo do IFDM Emprego e Renda. O indicador recuou 4,3% na comparação com
2012 e atingiu 0,7023 ponto.
Em 2015, esse indicador de Emprego e Renda poderá atingir
0,5204 ponto – menor patamar da série – já que o país deve perder mais de um
milhão de postos de trabalho formais e a renda deve avançar menos que a
inflação, corroendo o poder de compra do trabalhador. Os municípios, que tendem
a ficar à mercê da conjuntura econômica, deverão ter menos recursos para
expandir e, principalmente, para manter os programas sociais que viabilizaram o
avanço nas áreas de Educação e Saúde nos últimos anos.
Na avaliação de 2005 a 2013, a FIRJAN destaca que a nota
geral do país avançou 21,3%. Nestes oito anos, o Produto Interno Bruto (PIB)
cresceu 35%, foram gerados quase 16 milhões de postos de trabalho formais e
houve aumento do rendimento médio em 28%. O bom desempenho da economia no
período foi determinante para a expansão de recursos – através do recebimento
de tributos via arrecadação própria ou transferências - para o financiamento
das políticas públicas e, consequentemente, para a maior atuação social dos
governos. Nesse período, a Despesa Orçamentária per capita média das
prefeituras nas áreas de Educação e Saúde registrou crescimento de quase 80%,
já descontados os efeitos da inflação. E, em 2013, os indicadores de Educação e
Saúde do índice atingiram 0,7615 e 0,7684 pontos, respectivamente.
Apesar do avanço nos últimos anos, a Federação ressalta que
em 2013 o gasto per capita médio das prefeituras nessas áreas ficou estagnado e
que ainda existem desafios, já que pouco mais de um terço dos municípios têm
educação de qualidade e mais de quatro milhões de brasileiros ainda vivem em
cidades sem atenção básica de saúde. Um dos alertas do estudo é sobre o
desempenho dos alunos do Ensino Fundamental no Ideb (Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica) – um dos componentes do IFDM Educação. Caso o avanço (3,5%)
observado em 2013 se mantenha nos próximos anos, o país só alcançará em 2031 a
meta de 6,0 pontos inicialmente prevista para 2021 pelo Ministério da Educação.
No ranking geral do IFDM, a FIRJAN aponta que 60,3% das
cidades possuem desenvolvimento moderado e apenas 7,8% registram alto
desenvolvimento. O destaque positivo do índice é a cidade de Extrema (MG) - que
obteve 0,9050 ponto e saiu da 569ª colocação em 2005 para a primeira posição no
ranking nacional em 2013 - seguida de São José do Rio Preto (SP), Indaiatuba
(SP), São Caetano do Sul (SP), Vinhedo (SP), Concórdia (SP), Votuporanga (SP),
Paraguaçu Paulista (SP), Jundiaí (SP) e Santos (SP), que está na 10ª posição –
todas com alto nível de desenvolvimento.
Já o último colocado no ranking nacional, com 0,2763 ponto e
no 5.517º lugar, está o município de Santa Rosa do Purus (AC). A cidade possui
mercado de trabalho formal estagnado; apenas 16,4% de seus docentes possuem
nível superior, em contraste com 79% do país; e somente 7,9% de suas gestantes
vão a mais de seis consultas pré-natal - conforme preconizado pela Organização
Mundial de Saúde - frente à média nacional de 61,8%.
Norte e Nordeste têm quase 70% das cidades com desenvolvimento regular ou baixo
As regiões Norte e Nordeste têm quase 70% de suas cidades
com desenvolvimento regular ou baixo: no Norte são 67,2% e no Nordeste, 69,1%.
A região Norte não possui nenhum município com alto desenvolvimento. Já a
região Nordeste tem apenas dois municípios nesta classificação: Eusébio
(0,8782) e Sobral (0,8197), ambos do Ceará.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste continuam mais
avançadas. O Sul do país é a região mais desenvolvida, com quase a totalidade
(96,8%) de seus municípios com desenvolvimento alto ou moderado. O elevado
desenvolvimento socioeconômico da região é observado de maneira homogênea nos
três estados: o percentual de cidades com pontuação alta ou moderada é de 96%
no Paraná, 96,3% no Rio Grande do Sul e de 98,6% em Santa Catarina.
No Sudeste, 91,5% dos municípios apresentam desenvolvimento
alto ou moderado. A região possui a maior quantidade de cidades no estrato
superior do ranking brasileiro do IFDM, respondendo por 65 das cem maiores
pontuações, das quais 56 são do estado de São Paulo. Já o Centro-Oeste possui
86,4% de suas cidades com desenvolvimento moderado ou alto, cada vez mais
próximo dos padrões observados nas regiões Sul e Sudeste. O resultado mostra
que o desenvolvimento econômico da região, reflexo da ascensão do agronegócio,
se converteu em conquistas importantes nas áreas de educação e saúde.
Curitiba é a capital com melhor desenvolvimento socioeconômico
Nesta edição do IFDM, apenas oito capitais apresentam alto
desenvolvimento, enquanto as demais registram desenvolvimento moderado.
Curitiba (PR) ficou com a melhor pontuação no ranking (0,8618). A cidade
registrou crescimento de 4,3% no indicador de Emprego e Renda, o que resultou
em uma variação de 1,4% no índice geral. Com isso, passou da terceira para a
primeira posição no ranking.
São Paulo (SP) registrou 0,8492 ponto e manteve a segunda
colocação, apesar da leve variação negativa em relação à medição anterior
(-0,3%), por conta da queda na vertente Emprego e Renda, já refletindo o início
da desaceleração econômica naquele ano.
Na terceira posição do ranking das capitais está Vitória
(ES), que obteve 0,8421 ponto, seguida de Florianópolis (SC), que foi a
primeira colocada em 2012, mas caiu para a quarta posição por conta do impacto
negativo dos seus índices de Emprego e Renda e de Educação. Na quinta posição
está o Rio de Janeiro (RJ), que teve variação positiva em todas as vertentes.
Em 17 capitais foi verificada a redução no IFDM Emprego e
Renda. Essa queda mitigou a melhora nas vertentes de Educação e Saúde, em que
foram observados avanços em 22 e 16 capitais, respectivamente.

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