Com esse título seria possível abordar o verdadeiro caos que
está na Câmara dos Deputados fazendo com que o Brasil fique parado e, cada vez
mais, a população se envergonhe da classe política, com honrosas exceções. No
entanto, enquanto assistimos as ofensas e baixarias, no que eles chamam de
conselho de ética, várias outras tragédias continuam acontecendo diariamente
sem que ninguém tome qualquer providência. Exemplo é o ônibus que se arrebentou
no muro de um dos túneis da Linha Amarela, com cinco mortos e mais de 35
feridos. Uma situação recorrente e sem que nada, em termos de prevenção, seja,
efetivamente, implantado pelos órgãos competentes.
Depois da queda do ônibus da linha 328 de um viaduto na Av.
Brasil, em 2013, quando ocorreu uma briga entre um passageiro e o motorista,
muito se falou na proteção desses trabalhadores. Foram levantadas as más
condições de trabalho de cobradores e motoristas, essencialmente estes com
carga horária excessiva, além de sua vulnerabilidade. Mas, de lá pra cá, nada
foi feito na direção de mudar essa realidade.
A causa desse acidente ainda não foi
descoberta. Há especulações e depoimentos de testemunhas e de até algumas
vítimas, dentre elas a que afirmou que o motorista teria dormido ao volante.
Outros afirmaram que o pneu estourou. Embora isso provoque certa indignação,
essas possibilidades são extremamente plausíveis, tendo em vista a realidade de
muitos motoristas submetidos a situações limites. Com medo de perder emprego,
muitos deles encaram a carga horária inadequada para a profissão ficando
suscetível a acidentes dessa dimensão. E considerando o problema com pneu ou
qualquer parte mecânica, denuncia uma provável falta de manutenção preventiva.
Por outro lado, a hipótese de que o veículo estava em alta
velocidade, como testemunhas cogitaram nos remete a um fator primordial para a
população, que é a fiscalização do Poder Público. Essas empresas de ônibus
ganharam a concessão para oferecer o transporte público para os cariocas, porém
com qualidade, segurança e pontualidade. Infelizmente, isso não acontece.
João Tancredo é advogado especializado em Responsabilidade Civil

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