O Sistema FIRJAN decidiu lançar uma ofensiva na Justiça
contra o pacote tributário aprovado pelo governo estadual, junto ao Legislativo,
que entra em vigor em março. Para a Federação são inconstitucionais as leis
que criam a Taxa Única de Serviços Tributários da Receita Estadual, a Taxa de
Fiscalização de Petróleo e Gás e a Taxa de Fiscalização de Energia Elétrica,
além de alterar partes da alíquota do Fundo Estadual de Combate à Pobreza e às
Desigualdades Sociais (FECP). Mais: o aumento da carga tributária compromete
ainda mais a situação das empresas do estado do Rio de Janeiro, num cenário
econômico recessivo sem perspectivas de melhoras no curto prazo.
Segundo dados da Federação, a indústria do Rio viveu em 2015
um período crítico: o nível de atividade foi o menor em 12 anos. Quase todos os
setores apresentaram queda e os reflexos no mercado de trabalho foram
imediatos, com 46,2 mil postos de trabalho fechados.
O aumento e criação de novos tributos, ressalta a FIRJAN,
resultam no desestímulo às atividades formais, gerando a perda de arrecadação
para o próprio estado. “Entendemos que o governo do estado está enfrentando uma
crise fiscal gravíssima, mas penalizar um setor sobretaxado significa sufocar
qualquer possibilidade de reação por parte da indústria do Rio”, afirma o
presidente do Sistema FIRJAN, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira. “A solução está,
como defendemos desde sempre, na adoção de medidas que apontem para um ajuste
fiscal permanente. E estamos sempre abertos para o diálogo com o governo e com
toda a sociedade para buscarmos saídas conjuntas dessa crise”.
O Sistema FIRJAN afirma que as novas taxas ferem as
Constituições estadual e federal, por terem finalidade meramente arrecadatória.
As medidas jurídicas adotadas pela Federação incluem entrar com representação
de inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça do estado e com mandados de
segurança em primeira instância, e solicitar à Confederação Nacional da
Indústria (CNI) que, como representante da indústria de todo o país, proponha
Ações Diretas de Inconstitucionalidade (Adins) no Supremo Tribunal Federal
(STF).
“Essas novas leis aumentam ainda mais o custo e trazem
insegurança jurídica para a indústria, dois aspectos extremamente prejudiciais
para o ambiente de negócios, principalmente levando-se em conta o momento da
economia. Além disso, são medidas imediatistas. Temos um problema que precisa
ser sanado através de soluções estruturadas”, diz o presidente do Conselho de
Assuntos Tributários da FIRJAN, o empresário Sergei Lima.
A Federação destaca que o aumento da carga tributária com
esses tributos pode chegar a R$ 4,2 bilhões em 2016. Isso significa que cada
cidadão fluminense terá que pagar, em média, R$ 256,9 a mais em impostos por
ano. A FIRJAN lembra que somente a indústria de transformação já contribui com
45% de tudo o que produz, algo incompatível com a retomada de investimentos em
um momento de margens de lucro em queda vertiginosa.

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