Este título é o mesmo de uma das melhores canções da MPB, eternizada na voz de Zé Ramalho. A citação provocativa é para abordar a
situação lamentável dos trabalhadores dos Correios. Há muita crítica sobre a qualidade
dos serviços, porém pouco se fala das dificuldades e dos riscos diários dos
carteiros. Cenário que se resume em tensão, estresse e violência.
Foram 11 assaltos por dia somente no mês passado. Em 2015,
mais de 2.250 trabalhadores foram rendidos por bandidos, aumento de mais de 20%
em relação ao ano anterior. Somente na área de Bangu foram 261 ocorrências.
Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios, há casos de carteiros que
são assaltados 20 vezes por ano.
Sabemos que, infelizmente, o próprio Estado admite possuir
áreas “de risco”. No entanto, essa reconhecida incapacidade de proteção ao
cidadão acaba punindo duplamente uma população que paga seus impostos e que,
pela falta de investimento em segurança, tanto pelo lado da empresa em relação
aos seus funcionários quanto do próprio governo estadual — que tem a obrigação
de oferecer segurança pública —, não é atendida com serviço de correspondência
de qualidade.
O que ameniza essa situação é a colaboração das associações
de moradores, que acabam se tornando as principais parceiras dos carteiros.
A realidade é crítica, pois com as novas tecnologias e o
avanço das compras vias internet, a tendência é de que cada vez mais seja
necessário um aprimoramento logístico e um sistema de inteligência em segurança
apto a garantir o pleno funcionamento dos Correios. E, obviamente, será preciso
também investimento no suporte aos funcionários que estão sofrendo as
consequências de doenças causadas pelo estresse da atividade, além das Lesões
por Esforços Repetidos, que cada vez mais atingem esses trabalhadores.
João Tancredo é advogado especializado em responsabilidade civil
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