Com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF)
sobre o alcance do foro por prerrogativa de função, o ministro Marco Aurélio encaminhou
à Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul os autos da Petição (PET) 7990, na
qual se investiga suposto repasse ilegal de verbas feitos por executivos da JBS
para agentes políticos, entre eles o deputado federal e atual ministro-chefe da
Casa Civil da Presidência da República, Onyx Lorenzoni.
De
acordo com os autos, os repasses teriam sido feitos mediante doações eleitorais
não contabilizadas para campanhas do parlamentar nos valores de R$ 100 mil, em
agosto de 2012, e R$ 200 mil, em setembro de 2014. Ao se manifestar nos autos,
a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que existem indícios da prática
do delito previsto no artigo 350 do Código Eleitoral (falsidade ideológica
eleitoral), mas que o caso deveria ser analisado pela Justiça eleitoral gaúcha.
Segundo o ministro, o delito em análise nessa PET 7990, apesar de supostamente cometido quando Onyx Lorenzoni exercia mandato de deputado federal, não está relacionado ao cargo atualmente ocupado, de ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. “Em síntese, estando Onyx Lorenzoni licenciado do cargo gerador da prerrogativa, cessa esta última. A situação jurídica não se enquadra na Constituição Federal em termos de competência do Supremo”, concluiu o relator.

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