A denúncia do MPF aponta que pelo menos, entre janeiro de
2007 e fevereiro de 2019, Fernando França recebeu e escamoteou os valores
ilícitos direcionados a Regis Fichtner, que era figura central do braço
administrativo da organização criminosa liderada por Sérgio Cabral. Como chefe
da Casa Civil, Fichtner articulava os atos de governo mais importantes, usando
de sua habilidade jurídica para buscar saídas minimamente defensáveis para
justificar alterações contratuais, editais de licitação, benefícios fiscais ou
mesmo a contratação de obras. Em depoimento ao MPF em fevereiro deste ano,
Sérgio Cabral confirmou o pagamento de mesadas e bonificações a Fichtner a título
de propina, em retribuição a atos de ofício praticados pelo então chefe da Casa
Civil.
Os procuradores apontam na denúncia que Régis Fichtner, com
anuência de Cabral, solicitou e aceitou vantagem indevida para exercer o cargo
com especial atenção para os interesses privados de empresários, como os da
construção civil. O empreendimento do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ),
e a empresa Thyssenkrupp seriam alguns dos beneficiados do esquema, de acordo
com a denúncia.
Entre 2007 e 2014, Fichtner recebeu vantagem indevida no
valor de pelo menos R$ 4,897 milhões. A sistemática de entrega narrada na
denúncia ocorreu por intermédio da transportadora de valores Transexpert, com
França sendo o responsável pelo recolhimento de parte desse montante, e as demais
pelo sistema ST, desenvolvido por doleiros para realizar e controlar as
operações financeiras ilegais.
Além da condenação dos denunciados às penas previstas na
lei, o MPF pede que os três sejam condenados à reparação dos danos materiais
causados por suas condutas no valor mínimo equivalente ao montante recebido
indevidamente, de R$ R$ 4,897 milhões e à reparação dos danos morais causados
em montante não inferior ao dobro desse valor, R$ 9,794 milhões.

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