sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Brasil ganha mapa de municípios com maior risco de deslizamentos

Estudo que começou após desastre na região serrana do Rio traçou avaliação geológica de 31 cidades no Sul e Sudeste

O governo federal conclui até a próxima semana o levantamento geológico de 31 municípios das regiões Sul e Sudeste que apresentam risco muito alto de deslizamentos de terra e outros fenômenos de solo que têm maior probabilidade de causar vítimas em circunstâncias climáticas adversas.

As 31 cidades fazem parte de um grupo maior de mais de 50, mas apenas sobre essas não havia nenhuma informação sobre as características geológicas e ocupação do terreno anteriormente. Com esses levantamentos, o governo agora tem, em tese, toda informação necessária para conhecer os locais mais vulneráveis de Sul e Sudeste em caso de chuvas de grandes proporções.

Apenas em Nova Friburgo (RJ), principal cenário das tragédias do início do ano que deixaram mais de 900 mortos, ainda são 2540 moradias em áreas de risco alto, onde vivem cerca de 10 mil pessoas, segundo o CPRM. Nos próximos dias serão concluídos os levantamentos em Ouro Preto (MG) e Angra dos Reis (RJ).

No entanto, até o início deste verão, o governo federal não terá dado início de maneira coordenada ao previsto plano de educação e comunicação da população moradora desses municípios, tampouco de intervenções estruturais (obras de contenção, drenagem e urbanização, por exemplo).

Segundo o MCTI, o processo de implementação do Cemaden ainda está em conclusão. Do total de orçamento para o Centro de R$ 21 milhões neste ano, apenas R$ 2,2 milhões foram creditados do Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas. Outros R$ 10,9 milhões ficaram disponíveis apenas há duas semanas, depois de aprovada a Lei 12.524 no Congresso. Segundo nota do MCTI, “esse valor já está sendo empenhado e já é objeto de processo licitatório”.

Desde o ano passado, reuniões sobre a prevenção de desastres ocorrem periodicamente na Casa Civil – nos últimos meses, com a presença da própria ministra Gleisi Hoffmann. Além de Ministério de Minas e Energia (à qual é ligada a CPRM) e MCTI, participam dos debates ministérios da Integração Nacional e Cidades.

Há uma cobrança pessoal da presidenta Dilma Rousseff de que menos vidas sejam perdidas em eventos similares aos dos últimos anos. Em entrevista ao iG em agosto, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, afirmou que as tragédias como as que tivemos no Rio no ano passado são tendência.

Veja a lista dos municípios com áreas de alto risco já mapeadas pela CPRM e, mais abaixo, como ocorrem as tragédias no solo:

Rio de Janeiro

Nova Friburgo
Sumidouro
Angra dos Reis
Niterói
São José do Vale do Rio Preto

Espírito Santo

Cachoeiro do Itapemirim
Marechal Floriano
Vargem Alta
Viana
Santa Leopoldina
Cariacica

Rio Grande do Sul

Encantado
Fontoura
Xavier
Igrejinha
Itati
Novo Hamburgo
Soledade

Paraná

São José dos Pinhais
Antonina
Almirante Tamandaré
Rio Branco do Sul

Santa Catarina

Brusque
Gaspar
Ilhota
Jaraguá do Sul
Luis Alves
Palhoça
São José
Timbó

Minas Gerais

Ouro Preto

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