Deputados do PSDB consideraram positiva a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter
a pena aplicada ao ex-ministro José Dirceu no julgamento do mensalão. Apontado
como principal responsável pela organização do esquema de corrupção, Dirceu foi
condenado a dez anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e
formação de quadrilha.
Na avaliação de Duarte Nogueira (SP), o Supremo cumpriu o
seu papel constitucional e foi ao encontro do que esperava o povo brasileiro:
fazer justiça e punir aqueles que escandalosamente corromperam o país e
transformaram o mensalão no maior escândalo do país. “Quem comete ilegalidades
tem que ser punido conforme as regras do Estado de direito e da democracia”,
apontou o tucano na sexta-feira (30).
De acordo com a legislação, penas superiores a oito anos devem ser cumpridas
inicialmente em regime fechado, numa prisão. O pedido de Dirceu para que a pena
fosse reduzida foi rejeitado por 8 votos a 3 no tribunal. O presidente do STF,
Joaquim Barbosa, reafirmou sua posição de que o petista esteve no comando do
grupo e disse que o cálculo da pena foi um “reflexo de todas as circunstâncias”
que apontam para o envolvimento do ex-ministro com outros participantes do
esquema.
Duarte lembrou o momento vergonhoso vivido nesta semana, quando a Câmara não
cumpriu o seu papel de cassar o deputado presidiário Natan Donadon (sem
partido-RO), e elogiou o STF por ter feito sua parte. Para o tucano, nesse caso
houve interferência clara do
governo por saber que os condenados do mensalão seguirão o mesmo rito.
“Espero que sirva de exemplo para que a Câmara possa se redimir do gravíssimo
erro que fez contra a sociedade brasileira em não ter cassado o deputado
Donadon. Espero que cumpra esse rito cassando aqueles que serão condenados
também no desfecho do mensalão”, salientou.
Antonio Imbassahy (BA), por sua vez, ressaltou ser evidente
a tentativa dos condenados de protelar o processo. Ele comemora o fato de o
Supremo ter agido com firmeza e responsabilidade.
“A posição do STF tem uma identidade grande com o pensamento do povo
brasileiro”, disse. Para o deputado, o tribunal deu a resposta que a população
tanto esperava. “O Supremo está correspondendo à vontade e expectativa da
sociedade. O Supremo teve motivos suficientes para manter as decisões no sentido
de que a condenação não seja modificada”, finalizou.
Dirceu e outros réus ainda tentarão reduzir as penas na próxima fase do
julgamento, quando poderão apresentar recursos conhecidos como embargos
infringentes. O STF ainda não decidiu se aceitará julgar esses recursos.
Penas mantidas
→ Na atual fase do julgamento, são analisados recursos que os 25
condenados apresentaram para apontar erros e contradições nas decisões do STF. A
maioria dos pedidos foi rejeitada. O tribunal também manteve ontem a pena do
publicitário Cristiano Paz, ex-sócio do empresário Marcos Valério, principal
operador do mensalão.
→ Assim que Barbosa acabou de votar, quatro ministros o acompanharam de
imediato, sem explicitar as razões de suas conclusões. Roberto Barroso, Teori
Zavascki, Rosa Weber e Luiz Fux se limitaram a dizer: “Com o relator”. Logo
depois, o ministro Dias Toffoli abriu uma nova questão ao propor a redução da
pena de Dirceu por formação de quadrilha de 2 anos e 11 meses para 2 anos e 5
meses e 20 dias.
→ A tese de Toffoli não convenceu Cármen Lúcia ou Celso de Mello, que
votaram contra Dirceu. Até aqui, o STF analisou embargos de 19 dos 25 condenados
e as penas foram mantidas.
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Reportagem: Letícia Bogéa

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