terça-feira, 21 de julho de 2015

CPIs do BNDES e dos fundos de pensão ajudarão a passar o Brasil a limpo, avalia deputado

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criou na sexta-feira (17) três novas comissões parlamentares de inquérito: a primeira delas irá investigar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); a segunda vai apurar supostas irregularidades nos fundos de pensão das estatais; e a terceira vai investigar crimes cibernéticos no país. 

Vice-líder do partido na Câmara, o deputado Daniel Coelho (PSDB/PE) defendeu a abertura das comissões, tendo em vista que as CPIs da Violência contra Jovens Negros e da Máfia das Órteses e Próteses encerraram seus trabalhos nesta semana. Para ele, é fundamental que o Brasil seja passado a limpo e, para isso, as investigações no Congresso podem ter importante papel.

É um aspiração da oposição, mas também de toda sociedade. Há recursos públicos em ambos os casos que estão sendo aplicados sem a devida transparência, e pior, para projetos que nem sempre são de interesse do país”, alertou. Cunha também autorizou a criação de uma quarta CPI, destinada a investigar maus tratos contra animais, mas a criação só deverá ocorrer no dia 07 de agosto. Apenas cinco CPIs podem funcionar ao mesmo tempo. Além dessas quatro, está em funcionamento a CPI da Petrobras.

O pedido para abertura da CPI para investigar a aplicação incorreta dos recursos e de manipulação na gestão de fundos de previdência complementar de funcionários de estatais e de servidores públicos foi protocolado com as assinaturas de 186 parlamentares.

Há indícios de ramificações do esquema do doleiro Alberto Youssef na gestão dos fundos de pensão, que administram mais de R$ 452 bilhões. Entre os alvos da investigação parlamentar estão a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) e o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos (Postalis).

Já a CPI do BNDES contou com o apoio de 199 deputados de todos os partidos, exceto do PT e do PCdoB, que não querem investigar as irregularidades. Os financiamentos secretos a países como Cuba e Angola e os critérios de repasse de recursos para empreiteiras estão entre os focos da investigação.

Na época, o 1º vice-líder do PSDB, deputado Nilson Leitão (MT), disse que os brasileiros têm enormes dúvidas sobre alguns dos negócios secretos realizados pelo banco de fomento. “O dinheiro enviado a locais mantidos por ditaduras sai do caixa do Tesouro Nacional”, ressaltou o tucano.

No requerimento em que pedem a instalação da comissão de inquérito, os deputados destacam que os termos dos contratos secretos de financiamentos a outras nações só poderão ser conhecidos pelos brasileiros em 2027. O texto reforça que apenas em 2012, Angola e Cuba receberam US$ 875 milhões do banco.

Temos preocupação quando vemos as áreas pobres do país sem receber investimentos, e o BNDES fazendo investimentos no exterior. Para atender o interesse de quem? É muito importante que as coisas sejam investigadas. A transparência é sempre muito boa para a democracia”, diz Daniel Coelho.

Ainda que o governo queira impedir quaisquer tipos de investigação, como tem demonstrado sempre que há avanços na Operação Lava-Jato ou na CPI da Petrobras, Daniel afirma que o Congresso não pode fugir de sua prerrogativa de fiscalizar e usar as CPIs como instrumento legal para investigar irregularidades.

Não dá para restringir. É preciso respeitar as instituições e o que temos visto é o governo querendo esvaziar as funções de fiscalização inerentes à democracia. O Executivo é eleito para governar, mas há órgãos de controle e de fiscalização que precisam cumprir seu papel, e o Congresso é um deles. Permitir que eles o façam, isso sim é defender a democracia”, concluiu o vice-líder tucano.

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Reportagem: Djan Moreno com informações da Agência Câmara

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