Em seu novo artigo, o advogado especializado em
Responsabilidade Civil, João Tancredo,
juntamente com a acadêmica em Direito
Maria Isabel Tancredo, abordam sobre os crimes sem solução de ontem e hoje. Confira!
Em dezembro do ano passado foi entregue o relatório final da
Comissão Nacional da Verdade à Dilma Roussef. A comissão, cujo objetivo era
encontrar responsáveis, vítimas e métodos da Ditadura Empresarial-Militar,
apontou no relatório 434 desaparecidos e mortos de 1964 a 1985. Números
chocantes e que geram ainda mais indignação quando compreendemos que podem ser
ainda maiores. Afinal, o Ministério do Exército não contribuiu como deveria nas
investigações, causando prejuízos aos resultados. Com o marco da proclamada
Constituição Cidadã de 1988, a esperança era de deixar para trás as torturas,
os assassinatos e os desaparecimentos, mas não é isso que vemos na nossa jovem
democracia brasileira.
Amarildo, DG, Claudia, Eduardo, Patrícia Amieiro, os meninos
do Sumaré e tantas outras vítimas mostram que essa ainda é a política de
segurança pública perpetuada no Brasil. Não são os últimos soldados da ponta os
responsáveis pelas violações diárias sofridas pelos cidadãos. Eles atuam sob
ordens e treinamentos de um sistema que valoriza a violência e a ilegalidade
porque não buscou se adaptar à realidade democrática.
A “tática” cruel do desaparecimento forçado não foi somente
utilizada nos anos de chumbo do Brasil. Foi também praticada nas outras
ditaduras na América Latina. É um método “de sucesso” porque garante a
diminuição do número de mortos declarados, maquiando a direção violenta da
segurança pública. Portanto, é preciso atenção quando vemos o número dos autos
de resistência (mortes em confronto com a polícia) diminuir enquanto o dos
desaparecidos cresce.
Assim como os responsáveis pelos desaparecimentos e mortes
na ditadura brasileira não se comprometeram em ajudar nas investigações da
Comissão, atualmente aqueles que procuram estudar os desaparecidos na
democracia enfrentam dificuldades e bloqueios para ter acesso a informações.
Permanecem secretas as violações do Estado, com suas marcas militares ainda
ardentes.

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