Em seu novo artigo, o advogado criminalista Marcos Espínola aborda sobre os recentes
assaltos ocorridos em áreas que antes eram tidas como seguras. E ainda
aponta diversos fatores que podem influenciar nesse aumento no número de
assaltos e sequestros em todo o Rio de Janeiro.
“Do Leme ao Pontal. Nada Igual...”. É impossível se deparar
com essa frase sem nos lembrarmos do saudoso Tim Maia que, entre tantas letras
marcantes, eternizou essa verdadeira reverência à bela visão da orla carioca. O
artista contemplou a beleza natural da Cidade do Rio de Janeiro que, hoje,
embora permaneça soberana, infelizmente, sofre com os problemas crônicos das
grandes metrópoles, dentre eles a poluição e agressão ao meio ambiente. Porém,
outra questão é ainda mais complexa, que é a violência que constantemente
mancha de sangue a imagem da cidade maravilhosa. Os recentes assassinatos em
áreas nobres, como Lagoa, onde a facadas um ciclista perdeu a vida, e no
Recreio, onde ao sair da academia uma mulher é morta a tiros, demonstra que de
uma ponta a outra do Rio a realidade é igual.
Na semana passada, outra mulher, abordada no estacionamento
do Shopping Via Parque, sofreu um sequestro relâmpago, ficando por mais de uma
hora no poder dos bandidos. Portanto, ainda que repleta de novos
empreendimentos, Barra e Recreio já sofrem o impacto da criminalidade
crescente. Se antes essa era a realidade peculiar somente na Zona Norte e
Baixada, hoje já não podemos dizer o mesmo, pois os paradisíacos bairros, com
condomínios de luxo, sofrem com a falta da presença do Poder Público.
Em verdade, atualmente no Rio não há a delimitação
territorial antes facilmente identificada como zona de perigo ou de risco. Como
dizem os mais jovens, “estamos juntos e misturados”.
E concordo com aqueles que afirmam que segurança pública não
é só polícia. Está na hora de parar com essa hipocrisia daqueles que tentam,
por conta de uma visão limitada ou tendenciosa, jogar todo o ônus do atual
cenário na conta do policiamento. O que estamos passando é um problema crônico
e de ordem social. Algo muito mais abrangente, muito além da polícia.
A falta de investimento em cidadania, por exemplo, de uma
formação sociológica e cívica desde a base fez com que chegássemos a esse
estágio de distorção de valores morais. A má distribuição de renda é outro ponto
que abala a sociedade, pois há pouquíssima gente com alto poder aquisitivo e
muitíssima com baixo padrão de vida morando lado a lado, compartilhando as
mesmas redes sociais, porém “navegando” em realidades totalmente diferentes, na
qual a oportunidade de viver dignamente é a linha que os separa.

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