O jurista Miguel Reale Júnior, a filha do fundador do PT
Hélio Bicudo, Maria Lúcia Bicudo, e representantes de movimentos sociais
protocolaram na manhã de quinta-feira (17) um aditamento ao pedido de
impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Parlamentares da oposição
participaram da entrega da nova redação do texto na Câmara dos Deputados. Os
líderes do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e da Oposição, Bruno Araújo
(PE), acompanharam o ato.
O documento indica problemas de responsabilidade fiscal do
governo de Dilma Rousseff, “pedaladas” e fatos dos dois mandatos da presidente.
“Lutamos contra a ditadora dos fuzis e agora estamos juntos para lutar contra a
ditadura da propina”, declarou Reale. O ex-ministro da Justiça afirmou que a
corrupção corrói a democracia por dentro, elimina a independência do Congresso
com a compra de apoio e precisa ser combatida.
Em nome do pai, Maria Lúcia Bicudo reforçou apoio à mudança
no governo federal. Para ela, é preciso trilhar um novo caminho, sem mentiras e
corrupção. “Temos que abrir esse caminho para que o Brasil seja digno, íntegro
e não tenhamos mais a falta de ética e moral reinante há muito tempo”, alertou.
Representante do Movimento Brasil Livre, Fernando Holiday
acredita que o impeachment fará justiça a todas as mentiras ditas pela gestão
petista. Fernando vem da periferia de São Paulo e sua família tem origem no
interior da Bahia. “Minha família passou fome e, durante os últimos 12 anos,
fomos obrigados a ouvir que Lula e Dilma tiraram nossa fome. Que foi graças a
eles que subimos na vida. Venho em nome de minha família e de tantas outras
dizer que isso não é verdade. O que eles mais fizeram pelos pobres foi
roubá-los e enganá-los”, frisou.
Em nome do Movimento Vem Pra Rua, Rogério Chequer destacou a
legalidade do pedido de impeachment protocolado hoje. Ao contrário do que vem
tentando vender o PT, o processo é constitucional e tem base em auditorias
técnicas que comprovam o crime de responsabilidade. “Golpe é mentir, enganar o
povo brasileiro. Começamos a trilhar um caminho novo para o país, onde nenhum
brasileiro, nem mesmo a presidente, está acima da lei”, destacou.
Representando 43 movimentos de rua, Carla Zambelli lembrou
que os grupos abriram mão de outro pedido de impeachment por acreditarem na união
simbólica com o ex-petista Hélio Bicudo. O fundador do Partido dos
Trabalhadores vai ajudar a fechar um ciclo e tirar a corrupção do país,
acredita Carla. “A saída do PT é o primeiro passo para a reconstrução de um
novo país”, acrescentou.
Nesta semana, a bancada de oposição apresentou questão de
ordem pedindo definição sobre as regras de tramitação do processo de
impeachment. Eduardo Cunha acatou a questão, mas não deu prazo para
respondê-la. Em entrevista,o presidente afirmou que pediu um
parecer sobre a questão, que deve ficar pronto até esta segunda-feira (21). Só então
ele decidirá sobre o impeachment.
ATO EMBLEMÁTICO
O 1º vice-líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT),
destacou o caráter emblemático do pedido de dois grandes juristas, um deles
fundador do PT, pelo fim do governo Dilma. “Os movimentos de rua e a oposição
estão unidos à bancada suprapartidária que abraça a causa e passa a compreender
que o impeachment está muito mais próximo do que alguns imaginam”, afirmou.
A entrega do texto é um passo importante na concretização do
desejo popular de impeachment, acredita o deputado Jutahy Junior (BA). “Dilma
se elegeu baseada na mentira e na corrupção, e isso atinge hoje a vida das
pessoas com aumento de juros, da conta de luz, do desemprego, da desesperança”,
completou. Na opinião do tucano, o ato de hoje marca um norte na luta pela
saída da petista.
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