Em seu novo artigo, o advogado criminalista Marcos Espínola aborda sobre a falta de apoio
que a população dá aos profissionais de segurança, usando como exemplo a morte
do soldado Caio Cesar, mas que só mereceu destaque da mídia devido a
participação no como dublador do personagem Harry Potter. O advogado alerta que
apesar de não receberem atenção da mídia, diversas famílias ficam desfalcadas
ou vivendo de uma maneira inapropriada para alguém que cuida de nossa
segurança, mas o que realmente acontece hoje é um isolamento social desses
profissionais.
O olhar da população sobre a PM é “viciado”, ou seja, visto
por um só ângulo, que é o sensacionalista, que valoriza os erros. É movido pela
“indústria do caos” que exalta o ruim e pouco avalia o outro lado da moeda,
como o fato de, 2014 pra cá, um PM ter sido morto a cada 40 dias somente nas
áreas das UPPs. Só neste ano foram 53 feridos e sete mortos. Uma realidade que
é abafada pelas manchetes dos casos polêmicos envolvendo a corporação.
Há alguns dias, por exemplo, a morte do soldado Caio
Cesar só mereceu destaque devido a sua participação como dublador do personagem
Harry Potter nos cinemas brasileiros. Entretanto, já em 2011, quase quatro mil
agentes de segurança, entre PMs, bombeiros e policiais civis, do Estado eram
beneficiados pelo auxílio invalidez. Certamente, hoje, esse número é maior.
Histórias anônimas de famílias inteiras que tiveram suas vidas trasnformadas
pela perda ou incapacidade do seu mantenedor, tornando-se não só incapaz de
exercer suas funções, mas dependente dos familiares.
Se a sociedade sofre com a atual crise do país, essas
famílias sofrem com a perda ou invalidez do chefe da casa. Um tormento diário,
porém ignorado por boa parte da população que rotula uma categoria que está do
mesmo lado, mas sem qualquer atenção dos defensores dos direitos humanos,
trabalhistas etc. Por exemplo, PMs e bombeiros ativos do Rio e que ingressaram
até maio de 2001 podem ganhar na justiça um aumento de até 28%, além de
atrasados que podem ultrapassar os R$ 100 mil, dependendo do posto ou graduação.
Parece bobagem, mas a maioria não tem essa informação não só por ser algo
específico à categoria, mas, talvez, pela certa “má vontade” com esse público.
Mas a informação é importante, pois até os inativos que
estavam em atividade até 2011 também fazem jus à correção, assim como
pensionistas cujos pais, maridos ou companheiros estavam na ativa na época. Um
benefício para aqueles que não receberam corretamente a incorporação aos
vencimentos da Gratificação Especial de Atividade (Geat), criada em maio de 2000.
Enfim, Nelson Rodrigues dizia que “o brasileiro tem complexo
de Vira Lata”. Não quero que essa premissa seja válida para a questão tratada
acima, pois há sim um isolamento que a sociedade, inconscientemente (ou não),
impõe a esses profissionais, um equívoco ruim para todos os cidadãos.

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