A mobilidade urbana é um tema em pauta em todas as grandes
cidades do mundo e no Brasil não podia ser diferente. Mas o que antes era alvo
de crítica e até ironia só da Cidade de São Paulo, hoje o engarrafamento de
proporções absurdas é uma realidade diária no Rio. São vários os fatores que
envolvem essa questão, como crescimento populacional, falta de planejamento,
entre outros. No entanto, independente das causas, o fato é que nada justifica
o povo ser ainda mais sacrificado e desrespeitado, sendo o mais atingido pela
desorganização do Poder Público.
A grande massa trabalhadora que já sofre há décadas com a
péssima qualidade do transporte público, vulneráveis diante de veículos em
condições precárias e superlotação sem qualquer fiscalização, mais uma vez,
está pagando um alto preço. Não só pela dificuldade de circulação, mas pela arbitrariedade
de quem sacrificou rotas que, em muitos casos, eram únicas para determinadas
regiões. Uma covardia.
Somente na última semana foram mais de 10 linhas extintas na
Zona Oeste, dificultando a vida do trabalhador que precisa cruzar a cidade rumo
ao Centro. A partir de agora, utilizar o bilhete único, benefício conquistado
depois de anos, se tornou uma missão impossível, já que a utilização da segunda
condução deve ser no prazo máximo de duas horas ou duas horas e meia. Com isso,
se gasta mais, ou seja, o cidadão tem que tirar do próprio bolso a terceira
passagem por conta de inevitáveis baldeações. E ainda por cima, chegando
atrasado.
Somente nessa primeira fase foram mais de 45 mil passageiros
afetados, sendo obrigado a buscar alternativas. Mas, boa parcela da população
está completamente perdida. Já aqueles que conseguiram de forma mais rápida,
estão se deparando com veículos lotados, transportando o dobro da sua
capacidade, colocando em risco a vida de centenas de pessoas. E isso engloba os
BRTs, apresentado como a melhor alternativa para a população que depende do
transporte público.

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