Por mais que a gente tente falar de outro assunto, buscando
uma agenda positiva, não conseguimos. As perspectivas continuam pessimistas e a
estimativa de melhora já é só para 2018. Em tempos de mais um BBB, o que
prevalece na vida real é o CCC de Crise que parece não ter fim, de Carnaval que
se aproxima e, dá a todos quatro dias de ilusão, fazendo-nos esquecer da
realidade, e Coragem para seguir em frente num futuro nebuloso.
Os entraves causados pela crise se mantêm. Falta dinheiro,
as empresas em dificuldades, cortando custos, demitindo. O trabalhador é o mais
atingido, pois os aumentos não param e o salário, inevitavelmente, está cada
vez mais curto. O cerco está fechando e o desespero tem batido à porta de
muitas famílias.
Embora a situação esteja chegando a esse nível, o que se
assiste insistentemente são os discursos invasivos, troca de farpas e
intermináveis denúncias. A cada delação novos ingredientes surgem num esquema
que mobilizou muita gente e movimentou cifras incalculáveis.
Como consequência, serviços sociais básicos, como o da saúde
estão comprometidos e de forma criminosa estamos perdendo vidas. Os Estados
estão passando por sérias dificuldades. Em cada hospital o cenário é caótico.
Os efeitos do “golpe” sofrido pela Petrobras e a baixa do Petróleo estão
fazendo com que o Rio sinta a falta de recursos. Cidades como a de Macaé estão
em sérias dificuldades, pois o que alavancava a economia local eram as empresas
ligadas ao setor.
O clima de tensão está no ar, pois a violência também parece
avançar, embora o Instituto de Segurança Pública (ISP) tenha divulgado,
recentemente, que na Cidade do Rio, em 2015, foram registrados 18,6 homicídios
dolosos por 100 mil habitantes, sendo a menor taxa dos últimos 25 anos. Contra
fatos não há argumentos, mas o que se vê pelas ruas é um clima de medo e
insegurança diante de seguidos confrontos entre polícia e bandidos. Aliás,
outro fator que chamou a atenção foi o número de policiais mortos que aumentou
em 2015.
Enfim, às vésperas da maior festa popular do mundo, o que
nos resta é nos apegar a outros três “C’s”....de Coração firme termos Cautela e
Cuidado para não extrapolarmos e nos preparamos para, efetivamente, iniciarmos
o ano produtivo que no Brasil, tradicionalmente (e eu incluiria,
equivocamente), se convencionou a acontecer pós festa pagã.
Marcos Espínola é Advogado
criminalista

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